terça-feira, 7 de abril de 2020

A conquista do Paraíso




A conquista do Paraíso

Em quarentena por causa do covid-19, o vídeo acima, A conquista do Paraíso, suscitou-me uma reflexão sobre a globalização em curso e a Nova Ordem Mundial que não é a mais que a tentativa da conquista do poder por algumas nações de topo que pretendem ter, a todo o custo, a hegemonia da economia, seja ela capitalista neoliberal ou comunista capitalista. Haverá, por parte das mesmas, outras intenções piores. Mas, por agora, não vamos por aí. O que eu quero dizer é que foi Portugal quem deu os primeiros passos no sentido da globalização no bom sentido, sem submeter os povos ao tacão da ditadura ou do comunismo, cujo conceito à época dos descobrimentos não existia. Existiu sim, "um Papa com o nome de João XXI, nascido em Lisboa que escreveu um dos primeiros compêndios modernos sobre Medicina que, um século mais tarde, era livro de consulta obrigatória em quase toda a Europa. Existiram sim, portugueses que fizeram feitorias, negociavam nas terras que descobriam, levaram as tulipas, o chocolate e os diamantes para a Holanda, introduziram na Inglaterra o hábito do chá das cinco e deram a Bombaim a chave do Império. Ensinaram a África a proteger-se contra a malária… e introduziram na Índia o ensino superior, o caril e as chamuças e, no Japão, a têmpera e as armas de fogo. ”in: A primeira Aldeia Global.

Não se sabe bem aonde nos vai levar a globalização e os poderes ocultos que pontificam na presumível Nova Ordem Mundial. O que sabemos é que “A conquista do Paraíso” é um antigo sonho do Homem que devia ser conseguido por todos, para todos, e não apenas para alguns, cujos verdadeiros objectivos nos escapam.

Pós-texto: esta minha reflexão já não é nova. Pode ser visto aqui tema idêntico e mais completo.

terça-feira, 31 de março de 2020

EM QUARENTENA


EM QUARENTENA

Oh vírus malquisto
és uma maldição e
pareces o anticristo.

Podes vir do acaso, chegar aqui ou não,
ser russo, cowboy ou chinês
e podes mesmo estar aí à porta
para nos derrubar de vez.
Espalhas o terror mesmo de quarentena
e com o manto da morte,
matas quem tem menos sorte
e quem nos deixa mais pena

Violaste fronteiras qual assombração
para meter medo a esta nobre Nação,
que já esteve em todo o Mundo.
Vade retro, oh vírus maldito, a nossa resiliência
vai vencer-te como o fizemos ao mar profundo.


31/03/2020



segunda-feira, 30 de março de 2020

Covid-19 e as teorias da conspiração

Covid-19
Resposta a uma amiga que diz que as teorias da conspiração são criminosas


As teorias da conspiração não assim tão descabidas como isso. Tenho lido sobre o assunto com o cuidado e a reserva que se impõem. Algumas são terríveis e inacreditáveis? São, na verdade. Mas a questão, hoje, que se põe com o novo codiv-19, são sem dúvida, “os interesses económicos/capitalistas invisíveis (em parte) que comandam a sociedade contemporânea, “como alguém já disse, mas de que muita gente grada tem medo de falar. Existe também a possibilidade de o mesmo vírus ter sido criado deliberadamente como arma biológica silenciosa na guerra pelo domínio global. Não nos podemos esquecer que os gases da 1ª GG, o gás Zyklon B nos fornos crematórios da Alemanha nazi, e as bombas atómicas despejadas em Nagasáqui e Hiroshima, já teriam sido, eventualmente, previstos nas chamadas teorias da conspiração da época. Isto para dizer que já temos muitos exemplos no passado que nos ensinam que o inacreditável de hoje pode ser a verdade de amanhã. É claro que nem de perto nem de longe acredito que, no nosso país, haja a intenção, de deixar morrer, seja quem for por motivos menos dignos. Mas a certeza que tenho relativamente a Portugal e aos nossos governantes, não é a mesma que tenho em relação a outros países de topo que têm dizimado a humanidade com os pretextos mais absurdos. Creio que o nosso SNS, tanto quanto eu sei, têm estado à altura desta grave crise e que os seus profissionais são dignos dos maiores e mais merecidos encómios. A actual situação de crise sanitária está a ser vivida na Europa e não só, entre a angústia e a loucura provocados pela expectativa de dias muito maus. Mas não será mesmo a loucura dos homens a verdadeira causa da actual pandemia do covid-19?

domingo, 22 de março de 2020

O Vírus Maldito


 O vírus maldito e a contra-informação.
No tabuleiro do xadrez do poder económico mundial e não só, a luta continua, e quem morre são os peões.
Afinal quem são os culpados da actual pandemia do corona vírus?
Pós-texto-Resumindo e concluindo:
O vírus é espontâneo ou é mesmo uma criação de laboratório? A teoria da conspiração também não ajuda muito para sabermos a verdade. E talvez nunca a venhamos a conhecer.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Estado de emergência




O PR decretou o estado de emergência.

A coragem dos homens pode coexistir com um sentimento contraditório de desprotecção e de medo. Quem esteve na guerra sabe disso. 
Hoje estamos a enfrentar uma pandemia altamente perigosa que dá pelo nome de coronavírus (covid 19) e se assemelha a uma guerra total com mortes imprevisíveis e consequências económicas desastrosas. O “inimigo” não tem rosto, a sua presença não é perceptível, mas pode estar em qualquer lado. 
Descobrimos, mais uma vez, a nossa fragilidade e o medo perante uma situação de perigo excepcional que urge esconjurar. E este é tanto maior quanto sabemos que, até agora, não existem certezas de haver meios eficientes para o combater. 
Decretado o estado de emergência durante quinze dias, resta aos portugueses cumprir com o que lhes foi pedido pelo PR e seguir as recomendações da DGS, com a calma e a serenidade imprescindíveis numa situação tão difícil quanto esta. 
A coragem e a entrega humanitária para salvar vidas, e enfrentar o “inimigo,” não vão faltar, certamente, a todos os médicos e profissionais do SNS, como aliás, tem sido seu apanágio. Honra lhes seja feita.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A eutanásia legalizada



Não poderás vencer a morte. Mas impõe-lhe a vida como um bandarilheiro e verás que muitas vezes ela marra no vazio - Vergílio Ferreira.

A legalização da eutanásia pode ser a abertura da caixa de pandora. Para já a relação de confiança entre o médico e o doente vai ficar afectada. Na Holanda e na Bélgica o conceito inicial de eutanásia tem sido alargado e o número dos intervencionados tem aumentado todos os anos. Fala-se mesmo de casos que são mais homicídios do que morte assistida e que há médicos que se refugiam em consultas de psiquiatria afectados pelo que vêem. A nossa lei fundamental é contra o exercício da morte e fica por esclarecer como é que o Estado vai resolver esta incompatibilidade. Na discussão invocaram-se os cuidados paliativos e outros meios da ciência médica para evitar o sofrimento a que aparentemente se foge devido à componente económica; a equação final ainda vai fazer correr muita tinta. E depois de encontrada não fica garantido que a polémica acabe, dado que a hipótese do referendo foi torneada por quem tinha interesse nisso.
Respeito a decisão daqueles que, em desespero de causa e não tendo família com meios nem disposição para apoio condigno na doença, recorrem à eutanásia. Mas a maioria do povo, não entende a pressa da legalização da mesma que pouco lhe diz. As pessoas têm uma filosofia diferente e afirmam: se eu não pedi para nascer, não vou pedir para morrer. Percebem o ciclo natural da vida e enfrentam com estoicismo a sombra da morte até ao último momento. Subscrevo este entendimento e daí a pergunta: “A quem serve a morte? Que o digam as funerárias e os herdeiros dos falecidos.”
Uma nota final: é de salientar e louvar o voto contra a despenalização da eutanásia do PCP. Para admiração de muita gente o PCP votou contra a morte e disse sim à VIDA. Com esta decisão, aliás tomada por vários deputados de outros partidos, entendeu-se e muito bem, que é prioritário salvaguardar a vida e a saúde dos portugueses e acabar com as lamentáveis mortes nas listas de espera e nos corredores das urgências dos hospitais do SNS.

Pós-texto: ver aqui conceitos gerais de uma morte digna.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Democracia

 


Rousseau tem razão. Entretanto, a estratégia do poder passa por manipular e adormecer o "rebanho", com os sonhos dos "amanhãs que cantam."

Analisada globalmente a democracia oferece-nos duas imagens muito contrastantes. Por um lado, na forma de democracia representativa, ela é hoje considerada internacionalmente o único regime político legítimo. Investem-se milhões de euros e dólares em programas de promoção da democracia, em missões de fiscalização de processos eleitorais e, quando algum país do chamado Terceiro Mundo manifesta renitência em adoptar o regime democrático, as agências financeiras internacionais têm meios de o pressionar através das condições de concessão de empréstimos. Por outro lado, começam a proliferar os sinais de que os regimes democráticos instaurados nos últimos trinta ou vinte anos traíram as expectativas dos grupos sociais excluídos, dos trabalhadores cada vez mais ameaçados nos seus direitos e das classes médias empobrecidas. Inquéritos recentes feitos na América Latina revelam que em alguns países a maioria da população preferiria uma ditadura desde que lhes garantisse algum bem-estar social. Acresce que as revelações, cada vez mais frequentes, de corrupção levam à conclusão que os governantes legitimamente eleitos usam o seu mandato para enriquecer à custa do povo e dos contribuintes. Por sua vez, o desrespeito dos partidos, uma vez eleitos, pelos seus programas eleitorais parece nunca ter sido tão grande. De modo que os cidadãos se sentem cada vez menos representados pelos seus representantes e acham que as decisões mais importantes dos seus governos escapam à sua participação democrática.
O contraste entre estas duas imagens oculta um outro, entre as democracias reais e o ideal democrático. Rousseau foi quem melhor definiu este ideal: uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém. Segundo este critério, estamos ainda longe da democracia. Os desafios que são postos à democracia no nosso tempo são os seguintes. Primeiro, se continuarem a aumentar as desigualdades sociais entre ricos e pobres ao ritmo das três últimas décadas, em breve, a igualdade jurídico-política entre os cidadãos deixará de ser um ideal republicano para se tornar numa hipocrisia social constitucionalizada. Segundo, a democracia actual não está preparada para reconhecer a diversidade cultural, para lutar eficazmente contra o racismo, o colonialismo e o sexismo e as discriminações em que eles se traduzem. Isto é tanto mais grave quanto é certo que as sociedades nacionais são cada vez mais multiculturais e multiétnicas. Terceiro, as imposições económicas e militares dos países dominantes são cada vez mais drásticas e menos democráticas. Assim sucede, em particular, quando vitórias eleitorais legítimas são transformadas pelo chefe da diplomacia norte-americana em ameaças à democracia, sejam elas as vitórias do Hamas, de Hugo Chavez ou de Evo Morales. Finalmente, o quarto desafio diz respeito às condições da participação democrática dos cidadãos. São três as principais condições: ser garantida a sobrevivência: quem não tem com que alimentar-se e à sua família tem prioridades mais altas que votar; não estar ameaçado: quem vive ameaçado pela violência no espaço público, na empresa ou em casa, não é livre, qualquer que seja o regime político em que vive; estar informado: quem não dispõe da informação necessária a uma participação esclarecida, equivoca-se quer quando participa, quer quando não participa.
Pode dizer-se com segurança que a promoção da democracia não ocorreu de par com a promoção das condições de participação democrática. Se esta tendência continuar, o futuro da democracia, tal como a conhecemos, é problemático. - Boaventura de Sousa Santos. Visão- 31/08/2006.
Pós texto: depois de fazer a presente publicação dei-me conta que já tinha dado à estampa uma publicação idêntica com o mesmo título que pode ser vista aqui: http://limonete.blogspot.com/2012/02/democracia.html. A de hoje devia ter um título diferente. Assumo o lapso e por isso peço desculpa aos meus leitores. O que eu pretendo chamar a atenção com este tema é que vivemos num simulacro de democracia que só interessa a uma elite que está muito mais preocupada com os seus interesses do que com os reais interesses do povo e do país. Na prossecução deste objectivo, talvez inglório, faço, amiúde, referência à opinião de conhecidas figuras de reconhecido valor das nossas letras e não só, que, pese embora com ideologias diferentes ou mesmo sem qualquer filiação partidária, sabem que a democracia do nosso país está doente e é um repositório de equívocos deliberados com a intenção de "adormecer e manipular o rebanho," como digo acima.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O que vai ser da Europa?

O êxodo de  povos refugiados para Europa (ou ocupação velada?) que  não respeitam os valores civilizacionais e culturais do ocidente é um facto. Quando os governantes dos países que lhes dão guarida abrirem os olhos, talvez seja tarde demais.

sábado, 21 de dezembro de 2019

O Natal que eu quero


Eu que já fui jovem, que já estive vários anos longe do lar, que já comi o "pão que o diabo amassou," que já estive "em perigos e guerras esforçados," tal como tantos outros, quero para mim, para todos os meus familiares, amigos e ex-camaradas de armas, um FELIZ NATAL e um Bom Ano Novo. Quero um Natal que nos lembre os prazeres e as ilusões da nossa juventude, a alegria do regresso ao nosso lar tranquilo, à lareira e ao convívio da Família.


domingo, 1 de dezembro de 2019

Restauração da Independência




No 1º de Dezembro de 1640, Portugal sacudiu o jugo espanhol e recuperou o estatuto de País soberano e independente.

Hoje, em face das circunstâncias adversas que nos rodeiam e da perda parcial da soberania, talvez tenha chegado a hora de se proceder a uma profunda regeneração colectiva nacional sem o que, corremos o sério risco de perder de vez a dignidade de nação soberana, cada vez mais empobrecida e com ela a possibilidade de nos fazermos respeitar e termos, por direito próprio, um lugar condigno entre as Nações.

sábado, 30 de novembro de 2019

Ninguém nos defende

PR ADMITE NOVA INJECÇÃO DE CAPITAL NO NOVO BANCO
Ninguém nos defende.

Segundo o Jornal Económico do dia 26, o PR disse ser possível uma nova injecção de capital no Novo Banco. E, como afirma o "Observador", o Novo Banco vai precisar de mais 1.149 milhões para compensar os "calotes" antigos. E a pergunta que se faz é: onde vai o Estado buscar mais dinheiro para a nova injecção de capital? Ao fundo de resolução? Ao OGE? E quem paga isso?
Relendo, Santiago Camacho no livro, Como o Capitalismo acabou com a classe média, respigamos o seguinte:
 

Portugal negociou com a Troika um empréstimo financeiro de 78 mil milhões de euros, dos quais 12 mil milhões são destinados exclusivamente à recapitalização da banca... Então, porque é que há dinheiro para entidades financeiras, manchadas por negócios duvidosos enquanto a classe média paga a factura sem ver um cêntimo? Porque é que esta classe luta para sobreviver, enquanto as classes altas conseguem escapar às rigorosas medidas de austeridade, nomeadamente através da transferência de avultadas quantias de dinheiro para paraísos fiscais, que continuam por fiscalizar..." 

É de salientar que os tais 12 mil milhões da troika, referidos acima, para salvar os bancos, já foram excedidos. Não é por acaso que hoje a banca quase que não dá juros aos clientes, mas tira-lhes "mais de 5 milhões de euros por dia em comissões das suas contas."
E houve quem afirmasse, ou afirme ainda, que não há nenhum euro dos contribuintes a ser usado na injecção no Novo Banco.
Por uma questão de seriedade não será a altura de rectificar a mentira de tal afirmação?

Quem se ri disto tudo, impunemente, é o DDT, Ricardo Salgado e outros  predadores da banca que também se foram "salvando" com o nosso dinheiro.

Pós texto:
A resolução do BES foi há cinco anos, um verão 'quente' do sector financeiro que já custou mais de 5.000 milhões de euros ao Estado e a factura ainda deve subir.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Abril, revoluciou. Novembro, democratizou.





Hoje relembramos uma data histórica: a vitória do 25 de Novembro. Na minha modesta opinião o 25 de Novembro veio repor os ideais e princípios do 25 de Abril e "a democracia pluralista, política e constitucionalmente baseada num regime semi-presidencialista, e economicamente baseada numa economia de mercado." Havia quem quisesse que o país fosse um satélite da URSS, quisesse substituir uma ditadura por outro regime totalitário pior, ou eventualmente, substituir a PIDE pelo KGB. O 25 de Novembro acabou com esse perigo que era mais real do que se possa imaginar. Venceu a ala moderada do MFA. Venceram os militares e demais patriotas que se opuseram ao totalitarismo. Venceu a Democracia, graças a um Homem de seu nome, Ramalho Eanes e os que com ele estiveram. Ainda bem que foi assim. Existe hoje uma certa desilusão? Claro que existe. Há ainda demasiada pobreza e existe demasiada corrupção. Há muita gente interessada nisso. Uma coisa leva à outra. O País tem melhorado em muitos aspectos. Mas para que a democracia não seja uma palavra sem sentido e o 25 de Abril uma desilusão, como alguns afirmam, é imperativo que a Justiça separe o trigo do joio e dê a este e aos que o semeiam o destino que merecem: a prisão, sem mais delongas e interferências políticas duvidosas.


Nota: onde digo PIDE, entenda-se de má memória.

domingo, 3 de novembro de 2019

Corrupção em Portugal

 No meio da corrupção reinante só uma Justiça independente e o patriotismo dos cidadãos podem salvar o País do "triunfo dos porcos".



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

CARBONÁRIA



"Sociedade sinistra e cruel para uns.
Sonho de liberdade para outros.
Mas onde estará a verdade,
no meio de tanto sangue e segredos?"

Livro de Mário Silva Carvalho com o qual ganhou em 2012 o prémio Literário João Gaspar Simões, atribuído pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.

"Em 1907, o jovem Constantino da Silva chega a Lisboa. Fugira de Coimbra devido a uma zaragata em que atacou um miguelista para proteger um grupo de estudantes republicanos. O deslumbre com a capital, tão maior e mais sofisticada que o resto do país, logo é substituído pela realidade: Lisboa é uma cidade pobre, esfaimada e onde o conflito entre monárquicos e republicanos deixa mortos e feridos nas ruas."...
Deve ser lido para quem quiser conhecer "uma das épocas mais importantes e turbulentas da História de Portugal."

Bandeira da Carbonária: repare-se na "semelhança" com a actual bandeira nacional.



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Os Morros de Nóqui


Livro da autoria do escritor, Cláudio Lima que esteve na guerra em Angola em 1969 com a patente de Alferes Milº. integrado no B.Artª. 1922/C.Artª-1726 que não deixa de surpreender quem esteve na guerra colonial, no caso vertente em Angola. Dei por este livro há algum tempo na Internet e só há cerca de três dias a livraria Bertrand mo entregou. Li-o de uma assentada.
Ao tempo (minha terceira e última comissão por imposição, sempre em Angola) também fiz parte do mesmo Batalhão, C.Artª. 1725, do autor do livro e posso dizer que a minha passagem por Nóqui foi uma das experiências que mais me marcaram, negativamente, enquanto militar.

"Nóqui é uma província de Angola que foi território português até 1975 e se tornou independente após o advento do 25 de Abril. Como se sabe, foi para Angola ,que se destacaram à pressa milhares de portugueses, combatentes, para defenderem  pessoas e bens da guerra colonial que teve início de 15 de Março de 1961 com a sublevação no Norte da Província, região dos Dembos, que foi teatro  do massacre indiscriminado, pela UPA, de fazendeiros, mulheres e crianças e até de negros, assalariados, da etnia bailunda que trabalhavam na produção e colheita do café. Alguns dos primeiros militares enviados para Angola da C.Artª. 87, no início da guerra, onde me incluo, ainda assistiram em parte, ao cenário e às consequências  de tão trágicos acontecimentos.

  Com o seu livro,“Os Morros de Nóqui”, mais de 30 anos depois do final do conflito armado, Cláudio Lima, pseudónimo de Manuel da Silva Alves, descreve-nos a sua perspetiva da guerra colonial. Uma guerra que ele se viveu dois anos e que conheceu como muitos outros que por lá passaram..." 

O autor faz um advertência logo no início do seu livro: "São ficções o que aqui te proponho". Mas, segundo a crítica que subscrevo, os: "Episódios da guerra, entre o pícaro e o trágico, transmitidos por uma caneta talentosa", ficam, quanto a mim, aquém da realidade, muito mais dolorosa, de que autor com o seu estilo, porventura, evitou falar com mais crueza, por pudor ou para não acordar os fantasmas das experiências dantescas por que passaram muitos combatentes.
Nóqui foi mais uma má recordação da nossa presença em Angola, quer no aspecto da guerra, quer nos bastidores da mesma, onde não pouca vezes pontificaram a arrogância e os abusos de alguém mal intencionado dentro das fileiras e bem assim dos abusos de muitos dos torcionários da polícia política de então. Por isso eu digo que há muitos aspectos da guerra colonial que continuam por contar.
 
Livro a ler por quem gosta desta temática da guerra colonial.

Não posso deixar de dar os meus modestos parabéns ao meu distinto amigo e ex-camarada de armas que é um consagrado escritor que tem recebido elogios de muitos dos seus pares e na imprensa da especialidade que, como é referido acima, diz, referindo-se ao presente livro:"Episódios da guerra, entre o pícaro e o trágico, transmitidos por uma caneta talentosa"...
 




domingo, 1 de setembro de 2019

O Sentido da Vida




O sentido da Vida

A vida para todos não é por inteiro.
Entre ricos e pobres foi sempre diferente.
Os pobres acreditam num Deus ausente,
 o deus dos ricos é quase sempre o dinheiro.

A vida para muitos é uma jornada,
com aventuras difíceis de vencer,
correndo o perigo de tudo perder,
sem alento e com a vida destroçada.

Só com coragem lutam pela existência.
Do pouco que tiverem, nada irão levar.
Melhor é ter uma vida de coerência.

E se nada tens e ao "pó hás-de voltar,"
 mas queres conseguir a eternidade:
ama a Pátria e serve a humanidade.



Nota: Reposição do soneto publicado em 30/09

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Como é isto possível?

(...) Como é possível que homens reunidos em conselhos de administração aumentem impiedosamente o preço do pão, da electricidade, dos transportes, da gasolina - bens absolutamente vitais para a vida de cada português? Serei eu tão ingénuo que ainda possua capacidade para escrever um livro sobre os atropelos que Portugal tem sofrido enquanto os meus companheiros adultos dormem descansados aplicando os velhos preceitos nacionais "quem tem unhas, toca guitarra" (o oportunismo), "em terra de cegos quem tem um olho é rei" o espertismo) e "quem vier a seguir que feche a porta" (o indiferentismo - três chagas morais que definem correctamente o consulado da geração política que se apossou de Portugal desde finais da década de 80. - Miguel Real, in: Nova Teoria do Mal.
Pois, e a pergunta que fazemos é esta: seremos nós também tão ingénuos que continuamos por aqui a falar dos resgates dos bancos, da famiglia partidária, dos incendiários, do nepotismo, dos novos Cabrais, da inutilidade das leis, dos ladrões de colarinho branco que não vão para a cadeia e da perversidade do sistema que só engorda os grandes e está a apodrecer o País?