segunda-feira, 15 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Da terra do Limonete à terra da Welwitschia Mirabilis

Welwitschia Mirabilis

Esta é uma história que nunca sonhei escrever.
Pouco depois de desobrigado do serviço militar e meio recuperado do esforço feito de três comissões de serviço, dei comigo a pensar em África.
Novamente Angola, para o melhor e para o pior, não me saía da cabeça. Paradoxalmente, Angola, onde tanto sofri, mas que tanto amei. Os horizontes da então chamada metrópole eram curtos e estreitos, assim como eram estreitas as ruas e estradas das povoações do "puto", como diziam, na gíria angolana, negros e brancos! Acresce que eu já tinha bebido da água do Bengo e, quem o faz, jamais esquece aquelas terras africanas e as suas gentes.

Aceitei um contrato de trabalho que me fora oferecido como administrativo e decidi regressar levando comigo a minha cara metade, contrariando todos os nossos familiares que, aflitos, tentaram, sem êxito dissuadir-nos de tal aventura.

Creio que a 7 de Janeiro de 1970 (uma 4ª.feira), depois de um voo em avião da TAP, Lisboa, com escala em Luanda, tomámos um avião da DTA e demos connosco a desembarcar no aeroporto de Moçâmedes.
Momentos antes, a minha mulher que vinha olhando pela janela do avião para o deserto do Namibe, perguntou-me com uma lágrima furtiva nos olhos: é para aqui que tu me trazes? Não dei parte de fraco, mas, intimamente, não deixei de lhe dar razão, porque à primeira vista, o cenário do deserto de Moçâmedes que envolve a cidade contra o mar, assusta quem o vê pela primeira vez. Porém, a realidade, nos meses seguintes à nossa chegada, era bastante diferente das primeiras impressões.
A cidade de Moçâmedes, com um micro-clima maravilhoso, não só era muito bonita, como se parecia até muito com a Figueira da Foz em alguns aspectos. O seu porto de mar e a sua linda praia das Miragens, são bem a prova disso, além de que, parecendo quase um milagre, o deserto no tempo das chuvas até fica lindo, com uma rasteira vegetação completamente verde.
E, foi aqui, numa terra aparentemente inóspita, que um milagre maior se deu porque nasceram-nos dois filhos que são a nossa alegria: o Miguel e a Vera que nos seus primeiros anos tanto conviveram com os seu amiguinhos de cor.

Hoje ao recordar-me de Moçâmedes, terra da Welwitschia Mirabilis, não posso deixar de fazer a analogia com Tavarede, terra do Limonete. Ambas foram e são importantes para mim: uma por ser um embrião ancestral da minha família; a outra por lhe ter dado continuidade. Por várias razões e sobretudo por esta , é que me lembro com saudade e amizade de todos os homens, mulheres e crianças, brancos e negros da cidade do Namibe que lá estão e estiveram. Desejo a todos as maiores felicidades e espero que o esforço dos homens de bem não tenha sido em vão para o povo Angolano.


Vista aérea de Moçâmedes





Praia das Miragens



O Miguel de pé e a Vera ao colo da mãe

Avenida da Praia do Bonfim




Nota:
Reposição de texto publicado em 14 de Julho de 2009 por ter desaparecido do blogue.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Coral Cantigas de Tavarede




Este era um coral que cantava com alma, mas que de alma já tem pouco porque desceu ao limbo da inactividade à espera de melhores dias. Valores tinha, mas a culpa é a da falta de apoios da autarquia (e não só) e da indiferença das direcções da SIT que se seguiram. A tradição já não é o que era. E a carolice de alguns e a boa vontade dos sócios e do povo anónimo não dão para tudo.

domingo, 31 de janeiro de 2016

A Revolta de 31 de Janeiro




Faz hoje 125 anos que a Revolta de 31 de Janeiro rebentou no Porto com o objectivo de implantar a República.

As causas próximas desta acção militar no Porto, apoiada por civis, radicam no conflito anglo-português provocado pelo Ultimato Britânico de 1890 que se opunha à pretensão de Portugal de ligar as costas do litoral de Angola e Moçambique por terra, conforme previsto no mapa cor-de-rosa. Para os portugueses “seria um novo Brasil”, mas os nossos “aliados” ingleses, ameaçaram-nos com declaração de guerra com o pretexto de que na zona que ocupávamos, viviam tribos que estavam sob a sua protecção.
Ler mais aqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Um Homem genuíno contra a corrupção




 Este é um Homem genuíno a lutar por Portugal e contra a corrupção

"De acordo com a E.Life, Paulo Morais é o candidato com mais seguidores na rede social, totalizando mais de 52 mil. No que diz respeito ao número de likes nas páginas oficiais das campanhas, Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias ocupam os segundos lugares do pódio com cerca de 31 mil e 25 mil, respectivamente.
A poucos dias do momento eleitoral que pode determinar quem será o próximo Presidente da República Portuguesa, a E.Life – empresa de Inteligência de Mercado e Gestão de Relacionamento nas redes sociais – aponta aquele que, no Facebook, é o grande vencedor desta campanha eleitoral virtual para as Presidenciais 2016."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Presidenciais: Estabilidade para que te quero



A propósito ainda do debate para PR, ontem na TVI24, com os candidatos Paulo de Morais e Sampaio da Nóvoa, este frisou várias vezes a palavra estabilidade ao contrário de Paulo de Morais que admitia alguma instabilidade para mudar o sistema. Todos desejamos que o futuro PR seja uma personalidade diferente e melhor que o seu antecessor para dar um novo rumo ao País e, Paulo de Morais, parece ser o candidato mais indicado para o conseguir. É independente de qualquer partido e a antítese do actual inquilino de Belém que  invocou também muitas vezes a estabilidade para continuar tudo na mesma ou pior ainda. E o que é que o País ganhou ganhou com isso?. Passo a citar: "Dificilmente a história será generosa com Cavaco Silva: os seus dez anos como Presidente da República são um rotundo fracasso. Foi com ele em Belém que a troika chegou a Portugal, foi com ele em Belém que quatro bancos faliram (BPN, BPP, BES e Banif). Cavaco foi lento a compreender o País à sua volta (demorou muito a perceber o perigo que Sócrates representava e a catástrofe que se seguiria)...e incapaz de travar a espiral de endividamento que acabou por conduzir o País à bancarrota"... (.In Público, João Miguel Tavares). E, obviamente, foi incapaz de pôr travão à corrupção da qual algumas figuras de proa do seu partido foram os principais protagonistas. Na mesma senda de Cavaco prepara-se já  Marcelo (uma espécie de jongleur político que diz tudo e o seu contrário para ganhar votos) seu amigo de partido, ambos amigos de banqueiros do regime, que se julga, antecipadamente, o seu legítimo sucessor.
Por analogia, não foi com estabilidade que o povo da Islândia cortou a gangrena dos banqueiros corruptos e os meteu na prisão conseguindo assim que o seu país reencontrasse o rumo da recuperação e do progresso e a sua soberania.
Está a chegar hora de votarmos em alguém com coragem que não se identifique com o sistema e que à falsa estabilidade que tem permitido o esbulho continuado aos portugueses e o aumento da dívida sem limites do País, imponha um rotundo NÃO.






terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Debate Paulo de Morais, Sampaio da Nóvoa

Debate dos candidatos à PR, Paulo de Morais e Sampaio da Nóvoa:

No debate de hoje na TVI 24, às 22H00, Paulo de Morais foi interventivo, determinado e exigente nas atribuições que competem ao PR. Denunciou, mais uma vez, a corrupção que lavra no país e até nos bastidores da AR. Disse que a Justiça tem de ser cada vez mais independente do poder político e ter mais meios para exercer cabalmente a sua missão. Afirmou  que o PR tem meios para combater a corrupção e que esse combate é essencial para combater os grupos de interesses que a promovem e vivem dela, sem o que o progresso do país e a vida dos portugueses nunca vão melhorar.
Invocou a cada momento, com uma clarividência notável, os artigos da CRP que os diversos governos têm ignorado ou feito tábua rasa com prejuízo dos cidadãos e do Estado de Direito. Ambos os candidatos demonstraram grande nível intelectual e cívico, mas Sampaio da Nóvoa foi demasiado genérico e conciliador, parecendo não estar muito interessado na mudança do sistema de interesses que conduziu o país à actual situação.
O vídeo do debate deve ser visto na íntegra para se ter uma visão mais profunda do que pensam os dois candidatos.
 


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz Ano Novo de 2016



Vivemos num mundo cada vez mais conturbado em que a ambição e a cobiça do homem parecem não ter limites. O terrorismo, essa face desumana da vingança e do ódio, é o efeito mais monstruoso das desigualdades que o homem impõe ao seu semelhante. E a guerra "é a escolha de quem prefere as riquezas ao ser humano", conforme diz o Papa. Assim, a chamada "globalização" em curso parece ser um paradoxo aos ideais da paz,  ao sentir e aos interesses comuns dos povos e das pequenas Nações. E é-o de facto, dada a angústia e a pobreza que a maioria dos portugueses vive e sente no seu-dia-a dia e vê além-fronteiras. E isto é tanto mais certo quanto a subjugação dos mais fracos  pelo capital e pelo poder único no mundo, parece ser o derradeiro objectivo de um projecto mundial obscuro e iníquo.
Dadas as circunstâncias pouco confiantes, embora, desejamos a todos que o Novo Ano de 2016 seja o inicio de um caminho diferente, de solidariedade, do progresso do país e da reconversão dos valores cristãos e de amor ao próximo que nos são tão caros e da Paz de que o Mundo tanto precisa.









quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A caixa de Pandora ou o poder no mundo




O Professor Noam Chomsky, explica aqui, sem reticências, o resultado da Invasão do Iraque:

Interessante notar aos 25 minutos o que diz o entrevistado, Noam Chomsky: "Se virmos as análises dos peritos americanos, os antigos analistas da CIA sobre o Médio Oriente, eles apontam para o óbvio. Dizem que o Estado Islâmico é o resultado da invasão americana no Iraque. A invasão do Iraque é certamente o maior crime deste milénio. Matou centenas de milhares de pessoas, com todo o tipo de tortura, terrorismo, destruição e com cerca de quatro milhões de deslocados."
Terrivelmente esclarecedor...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Hoje revisitei Eça de Queiroz



 O que dizia Eça de Queiroz há 143 anos: 

 (...) "O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos."..

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sondagens


"Costa apareceu como um salvador messiânico de esquerda"...Mas o PS enquanto não fizer a auto-crítica do governo Socrático que levou o país ao desastre em que se encontra, nunca pode constituir qualquer espécie de alternativa de esquerda".-Garcia Pereira

Discurso premonitório de G. Pereira (ver aqui) a que a sondagem perspectivada acima da UC, parece dar alguma razão. Embora seja cedo para previsões seguras, as expectativas para o PS, partido dito de esquerda, estão a baixar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O que diz Paulo de Morais





Assim fala o candidato a PR no seu livro, Janela do Futuro:

"Passados 41 anos, o regime  democrático saído do 25 de Abril está já agonizante. As liberdades conquistadas em 1974 parecem garantidas, como o direito de expressão e reunião. Mas a democratização prometida está longe de ser alcançada.
O poder é hoje exercido não pelo povo, mas pelos grandes grupos económicos, com o predomínio dos financeiros, dos construtores e promotores imobiliários. As eleições não geram verdadeiras alternativas, apenas permitem a alternância no poder dos maiores partidos. A distribuição de benesses, cargos, "tachos", é prática generalizada. A classe política usufrui, em democracia, de privilégios bem maiores de que no tempo da ditadura fascista."
In Janela do Futuro, pá. 15.

A 1ª. edição do livro, lançada em Julho deste ano, com 130 páginas, tem capítulos muito mais acutilantes e actuais do que o trecho acima., dos quais  se destaca o seguinte:

"O regime constitucional está agonizante: a Assembleia da República, sede da democracia, abastardou-se, os governos mentem todos os dias, o povo tem sede duma justiça que nunca chega. Neste jogo, neste momento em particular e com tantos jogadores a fazer batota, o jogador mais importante pode ser...o árbitro."

Nesta clara alusão às funções do PR, cargo para o qual se candidata, Paulo Morais faz do combate à corrupção o seu principal objectivo o que não é fácil num país em que a mesma é evidente (apesar de negada por algumas figuras controversas) e onde os corruptos e os corrompidos são mais do que muitos. A sua aposta na "regeneração do regime" e na transparência dos órgãos do Estado, está a criar anti-corpos nos políticos instalados que irão tentar denegrir a sua imagem o que é, aliás, um bom indício de que este professor universitário está no bom caminho, pese embora os ventos e marés adversas que terá de enfrentar para conseguir o seu patriótico desiderato.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Corrupção

Marquês de Maricá
"Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto".
-Marquês de Maricá.

Talvez esteja aqui, em parte, a razão porque o povo anda há tanto tempo a votar nos mesmos...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O saque continua

"Pedro Passos Coelho e Paulo Portas estão convencidos de que vão ganhar as próximas eleições legislativas. O ministro Pires de Lima e o secretário de Estado Sérgio Monteiro não estão. E vai daí, decidiram esta coisa extraordinária: avançar já com a concessão por 10 anos dos transportes colectivos do Porto (metro e STCP), dispensando novo concurso público, que é coisa sempre demorada...."
 O título do artigo é, "Uma decisão vergonhosa", mas entendemos que ficaria melhor: O saque continua.
Ler tudo aqui. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Música e a Alma

Ouvindo Mozart num final de tarde de Verão:
"Quão pouco é preciso para ser feliz! O som de uma gaita. - Sem música a vida seria um erro."



sábado, 18 de julho de 2015

O pensamento do dia

Não te acostumes com o que não te faz feliz,
revolta-te quando julgares necessário.
Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.

Fernando Pessoa

sábado, 30 de maio de 2015

A República está doente



O actual sistema político só muda com uma CRP diferente e com uma nova lei eleitoral que possibilite o povo de votar nas pessoas que conhece e não nos partidos do arco do poder. Estes têm sido os principais culpados da actual situação a que se chegou, graças às políticas neoliberais que têm implementado, à sua subserviência ao capitalismo selvagem, à banca e aos chamados donos disto tudo. Defendem mais os seus interesses e ideologias e os interesses dos lóbis que os apoiam do que os verdadeiros e indeclináveis interesses de Portugal e dos portugueses. Têm tomado decisões avulsas, não referendadas, contrárias à vontade popular que se traduzem num autêntico esbulho à classe trabalhadora e aos pensionistas, na vã tentativa de controlar a dívida pública. A abstenção progressiva, nas sucessivas eleições, é um sinal grave do descontentamento do povo, idêntico ao da 1ª República, que o autismo dos governantes ignora ostensivamente, pois o seu objectivo é continuar no poder de qualquer modo e a qualquer preço. 
Salazar percebeu os sinais da abstenção e deu-lhe voz no plebiscito de 1933. De uma assentada acabou com a 1ª. República instaurando e legalizando assim o Estado Novo. De algum modo pode dizer-se que antiga CRP era tanto ou mais legítima que a actual constituição, pois aquela foi referendada pelo povo, sendo esta apenas aprovada pelos grupos parlamentares, o que não deixa de ser um dos defeitos da democracia representativa. 
Com este texto estamos a fazer a apologia da ditadura? Claro que não. Só queremos dizer que o sentido de serviço ao país, não existe ou é ineficaz; que Portugal deixou de ser um país de brandos costumes e que interesses iníquos, a corrupção e a fome, proliferam o que não abona o Estado de Direito que queremos ser. 
A República está doente. É imperioso reconhecê-lo e agir enquanto é tempo, para a salvar e com ela a Democracia renascida  com o advento do 25 de Abril.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

O Amanhecer de outra Era



"É impossível que o tempo actual não seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou três casos pessoais que conheço do século passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limitações, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no início dela. Além disso heróica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora é esta ferocidade que se vê, esta coragem que não dá para deixar abrir um panarício ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferença haverá entre uma humanidade que é daqui, dali, de acolá, conforme a brisa, e uma colónia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e não têm mais nenhuma hesitação nem mais nenhum entrave.
Miguel Torga, in "Diário (1942)"

Quão longe estão os valores de hoje daqueles de que falava Miguel Torga, um Homem sério e autêntico como as fragas da sua terra. Dá para pensar, sobretudo, na "ferocidade" de certos actos e acções de delinquentes, vítimas de uma sociedade em crise, que despejam as suas frustrações no seu semelhante. Dá para pensar em certos políticos e outros quejandos que, para sair da crise e solver a dívida de que eles são os principais autores, não hesitam em sacrificar os cidadãos mais vulneráveis, cuja "pobreza está a ser substituída pela miséria", Se Torga fosse vivo iria certamente verter lágrimas pelo seu país, como bom português que era. Mal feito fora que o "Tempo Actual não Seja o Amanhecer doutra Era". Mas, com esta gente que nos governa, tenho dúvidas que o tal Amanhecer desponte alguma vez

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Obrigatório cumprir com o AO a partir de hoje



 "A minha Pátria é a língua Portuguesa", disse Fernando Pessoa.

Não nos admiremos, pois, que quem vende a Pátria, venda também a língua portuguesa que é património de todo um povo e não tem preço. Afinal eles fazem o que costumam...

Sobre tão polémico quanto infeliz assunto, transcrevo o seguinte:

"Esta lei não possui fundamento em termos materiais, como tal é inválida de acordo com os princípios normativos que determinam toda a jurisprudência. A sua invalidade caracteriza-se por vários aspectos:
1.0- Em primeiro lugar uma língua só pode mudar com o tempo e as adaptações inerentes ao evoluir da palavra sem destruir as suas raízes e identidade, pois é esta um dos seus pilares. Negar a língua a um povo é negar-lhe a identidade! É ao povo de onde a língua emana que cabe este processo de mutação e não a políticos ignorantes e mal formados que mal dominam o léxico materno.
1.1- A actual Constituição da República Portuguesa, aprovada em 1976, está escrita em Português anterior a 1990 - data do Acordo Ortográfico - logo, do ponto de vista técnico, uma actualização ortográfica não pode ser feita, sem que haja uma revisão constitucional, segundo as normas do Acordo Ortográfico.
1.2- Uma tal revisão não poderia ter efeito retroactivo, “convalidando os diplomas anteriores à data dessa revisão.
1.3- a língua é regulada predominantemente pelo costume”. “Uma língua não se muda por decreto. Tem de ter em conta a vontade do povo português e os pareceres técnico-científicos, que são, na sua esmagadora maioria, contrários ao Acordo Ortográfico.
1.4- A reforma ortográfica de 1911 fez foi codificar e sistematizar essas regras, que eram consensuais; diversamente do que sucede com o Acordo Ortográfico de 1990. O Brasil com esta reforma não se aproximou da grafia europeia porque não ratificou qualquer tratado e, sendo assim, “a reforma de 1911 só serviu para afastar mais a ortografia portuguesa da brasileira, que continuou a ser a do século XIX, embora a intenção não tivesse sido essa.
1.5- Houve um Acordo Ortográfico, em 1945, que o Brasil ratificou, mas que não aplicou, mas curiosamente também o povo Brasileiro e Moçambicano, estão contra esta reforma ortográfica.
1.6- A língua tem de obedecer às suas raízes, a sua origem latina, e esta reforma deteriora de tal modo a língua que a desvia da sua etimologia original. A língua é dinâmica, mas a história da língua portuguesa e a sua origem etimológica devem ser respeitadas.
1.7- Segundo o especialista Miguel Barroso, Professor assistente de Direito, o actual Acordo Ortográfico é “essencialmente uma imposição, não uma codificação de normas costumeiras, que extravasa o contrato social que a Constituição é, daí defender que, não só é inconstitucional, mas também que a ortografia da Constituição não pode ser revista segundo o Acordo”, sentenciou!
1.8- Quem não cumprir com este desacordo não pode ser penalizado: nem estudantes, professores, funcionários públicos, nem os cidadãos que sentem que esta modificação impositiva viola a sua língua mãe. Sobretudo as escolas e universidades do país se devem unir contra este acordo juntamente com as associações de pais dos alunos do ensino primário e secundário."- Miguel Martins De Menezes.

Na minha modesta opinião o AO é uma promiscuidade linguística que descaracteriza a língua portuguesa e é mesmo criticado, aliás, por eruditos brasileiros. Foi-se longe demais e não é despiciente que interesses de editores e livreiros ou outros menos, transparentes, tenham estado na sua origem. Com o inglês nunca foi permitido um abastardamento desta natureza, tanto quanto sabemos. Pudera, eles (os ingleses) são patriotas e sabem defender o seu património. O que me surpreende é que haja tantos defensores de um AO tão polémico que utilizam todos os meios nas redes sociais, quiçá o insulto, contra quem, num acto de legítima e justificada cidadania, defende a língua de Camões.
Ler mais aqui.