sábado, 3 de setembro de 2016

Jantar quinhentista

Tavarede continua a comemorar a sua história nomeadamente no que concerne à sua elevação a concelho em 09 de Maio de 1516 por foral de D. Manuel I.  Hoje, pelas 20H00, há jantar quinhentista no Paço de Tavarede, onde não falta também uma feira medieval aberta ontem ao público.
"Presentemente, a vila de Tavarede, conhecida por Terra do Limonete, que já foi concelho (extinto em 1834), é a segunda freguesia do concelho figueirense mais populosa, com cerca de 10.000 habitantes, e que reúne na sua área geográfica algumas das infraestruturas escolares, desportivas e comerciais mais importante do concelho."
(Clicar na foto abaixo)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Da terra do Limonete à terra da Welwitschia Mirabilis

Welwitschia Mirabilis

Esta é uma história que nunca sonhei escrever.
Pouco depois de desobrigado do serviço militar e meio recuperado do esforço feito de três comissões de serviço, dei comigo a pensar em África.
Novamente Angola, para o melhor e para o pior, não me saía da cabeça. Paradoxalmente, Angola, onde tanto sofri, mas que tanto amei. Os horizontes da então chamada metrópole eram curtos e estreitos, assim como eram estreitas as ruas e estradas das povoações do "puto", como diziam, na gíria angolana, negros e brancos! Acresce que eu já tinha bebido da água do Bengo e, quem o faz, jamais esquece aquelas terras africanas e as suas gentes.

Aceitei um contrato de trabalho que me fora oferecido como administrativo e decidi regressar levando comigo a minha cara metade, contrariando todos os nossos familiares que, aflitos, tentaram, sem êxito dissuadir-nos de tal aventura.

Creio que a 7 de Janeiro de 1970 (uma 4ª.feira), depois de um voo em avião da TAP, Lisboa, com escala em Luanda, tomámos um avião da DTA e demos connosco a desembarcar no aeroporto de Moçâmedes.
Momentos antes, a minha mulher que vinha olhando pela janela do avião para o deserto do Namibe, perguntou-me com uma lágrima furtiva nos olhos: é para aqui que tu me trazes? Não dei parte de fraco, mas, intimamente, não deixei de lhe dar razão, porque à primeira vista, o cenário do deserto de Moçâmedes que envolve a cidade contra o mar, assusta quem o vê pela primeira vez. Porém, a realidade, nos meses seguintes à nossa chegada, era bastante diferente das primeiras impressões.
A cidade de Moçâmedes, com um micro-clima maravilhoso, não só era muito bonita, como se parecia até muito com a Figueira da Foz em alguns aspectos. O seu porto de mar e a sua linda praia das Miragens, são bem a prova disso, além de que, parecendo quase um milagre, o deserto no tempo das chuvas até fica lindo, com uma rasteira vegetação completamente verde.
E, foi aqui, numa terra aparentemente inóspita, que um milagre maior se deu porque nasceram-nos dois filhos que são a nossa alegria: o Miguel e a Vera que nos seus primeiros anos tanto conviveram com os seu amiguinhos de cor.

Hoje ao recordar-me de Moçâmedes, terra da Welwitschia Mirabilis, não posso deixar de fazer a analogia com Tavarede, terra do Limonete. Ambas foram e são importantes para mim: uma por ser um embrião ancestral da minha família; a outra por lhe ter dado continuidade. Por várias razões e sobretudo por esta , é que me lembro com saudade e amizade de todos os homens, mulheres e crianças, brancos e negros da cidade do Namibe que lá estão e estiveram. Desejo a todos as maiores felicidades e espero que o esforço dos homens de bem não tenha sido em vão para o povo Angolano.


Vista aérea de Moçâmedes





Praia das Miragens



O Miguel de pé e a Vera ao colo da mãe

Avenida da Praia do Bonfim




Nota:
Reposição de texto publicado em 14 de Julho de 2009 por ter desaparecido do blogue.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Coral Cantigas de Tavarede




Este era um coral que cantava com alma, mas que de alma já tem pouco porque desceu ao limbo da inactividade à espera de melhores dias. Valores tinha, mas a culpa é a da falta de apoios da autarquia (e não só) e da indiferença das direcções da SIT que se seguiram. A tradição já não é o que era. E a carolice de alguns e a boa vontade dos sócios e do povo anónimo não dão para tudo.

domingo, 31 de janeiro de 2016

A Revolta de 31 de Janeiro




Faz hoje 125 anos que a Revolta de 31 de Janeiro rebentou no Porto com o objectivo de implantar a República.

As causas próximas desta acção militar no Porto, apoiada por civis, radicam no conflito anglo-português provocado pelo Ultimato Britânico de 1890 que se opunha à pretensão de Portugal de ligar as costas do litoral de Angola e Moçambique por terra, conforme previsto no mapa cor-de-rosa. Para os portugueses “seria um novo Brasil”, mas os nossos “aliados” ingleses, ameaçaram-nos com declaração de guerra com o pretexto de que na zona que ocupávamos, viviam tribos que estavam sob a sua protecção.
Ler mais aqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Um Homem genuíno contra a corrupção




 Este é um Homem genuíno a lutar por Portugal e contra a corrupção

"De acordo com a E.Life, Paulo Morais é o candidato com mais seguidores na rede social, totalizando mais de 52 mil. No que diz respeito ao número de likes nas páginas oficiais das campanhas, Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias ocupam os segundos lugares do pódio com cerca de 31 mil e 25 mil, respectivamente.
A poucos dias do momento eleitoral que pode determinar quem será o próximo Presidente da República Portuguesa, a E.Life – empresa de Inteligência de Mercado e Gestão de Relacionamento nas redes sociais – aponta aquele que, no Facebook, é o grande vencedor desta campanha eleitoral virtual para as Presidenciais 2016."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Presidenciais: Estabilidade para que te quero



A propósito ainda do debate para PR, ontem na TVI24, com os candidatos Paulo de Morais e Sampaio da Nóvoa, este frisou várias vezes a palavra estabilidade ao contrário de Paulo de Morais que admitia alguma instabilidade para mudar o sistema. Todos desejamos que o futuro PR seja uma personalidade diferente e melhor que o seu antecessor para dar um novo rumo ao País e, Paulo de Morais, parece ser o candidato mais indicado para o conseguir. É independente de qualquer partido e a antítese do actual inquilino de Belém que  invocou também muitas vezes a estabilidade para continuar tudo na mesma ou pior ainda. E o que é que o País ganhou ganhou com isso?. Passo a citar: "Dificilmente a história será generosa com Cavaco Silva: os seus dez anos como Presidente da República são um rotundo fracasso. Foi com ele em Belém que a troika chegou a Portugal, foi com ele em Belém que quatro bancos faliram (BPN, BPP, BES e Banif). Cavaco foi lento a compreender o País à sua volta (demorou muito a perceber o perigo que Sócrates representava e a catástrofe que se seguiria)...e incapaz de travar a espiral de endividamento que acabou por conduzir o País à bancarrota"... (.In Público, João Miguel Tavares). E, obviamente, foi incapaz de pôr travão à corrupção da qual algumas figuras de proa do seu partido foram os principais protagonistas. Na mesma senda de Cavaco prepara-se já  Marcelo (uma espécie de jongleur político que diz tudo e o seu contrário para ganhar votos) seu amigo de partido, ambos amigos de banqueiros do regime, que se julga, antecipadamente, o seu legítimo sucessor.
Por analogia, não foi com estabilidade que o povo da Islândia cortou a gangrena dos banqueiros corruptos e os meteu na prisão conseguindo assim que o seu país reencontrasse o rumo da recuperação e do progresso e a sua soberania.
Está a chegar hora de votarmos em alguém com coragem que não se identifique com o sistema e que à falsa estabilidade que tem permitido o esbulho continuado aos portugueses e o aumento da dívida sem limites do País, imponha um rotundo NÃO.






terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Debate Paulo de Morais, Sampaio da Nóvoa

Debate dos candidatos à PR, Paulo de Morais e Sampaio da Nóvoa:

No debate de hoje na TVI 24, às 22H00, Paulo de Morais foi interventivo, determinado e exigente nas atribuições que competem ao PR. Denunciou, mais uma vez, a corrupção que lavra no país e até nos bastidores da AR. Disse que a Justiça tem de ser cada vez mais independente do poder político e ter mais meios para exercer cabalmente a sua missão. Afirmou  que o PR tem meios para combater a corrupção e que esse combate é essencial para combater os grupos de interesses que a promovem e vivem dela, sem o que o progresso do país e a vida dos portugueses nunca vão melhorar.
Invocou a cada momento, com uma clarividência notável, os artigos da CRP que os diversos governos têm ignorado ou feito tábua rasa com prejuízo dos cidadãos e do Estado de Direito. Ambos os candidatos demonstraram grande nível intelectual e cívico, mas Sampaio da Nóvoa foi demasiado genérico e conciliador, parecendo não estar muito interessado na mudança do sistema de interesses que conduziu o país à actual situação.
O vídeo do debate deve ser visto na íntegra para se ter uma visão mais profunda do que pensam os dois candidatos.
 


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz Ano Novo de 2016



Vivemos num mundo cada vez mais conturbado em que a ambição e a cobiça do homem parecem não ter limites. O terrorismo, essa face desumana da vingança e do ódio, é o efeito mais monstruoso das desigualdades que o homem impõe ao seu semelhante. E a guerra "é a escolha de quem prefere as riquezas ao ser humano", conforme diz o Papa. Assim, a chamada "globalização" em curso parece ser um paradoxo aos ideais da paz,  ao sentir e aos interesses comuns dos povos e das pequenas Nações. E é-o de facto, dada a angústia e a pobreza que a maioria dos portugueses vive e sente no seu-dia-a dia e vê além-fronteiras. E isto é tanto mais certo quanto a subjugação dos mais fracos  pelo capital e pelo poder único no mundo, parece ser o derradeiro objectivo de um projecto mundial obscuro e iníquo.
Dadas as circunstâncias pouco confiantes, embora, desejamos a todos que o Novo Ano de 2016 seja o inicio de um caminho diferente, de solidariedade, do progresso do país e da reconversão dos valores cristãos e de amor ao próximo que nos são tão caros e da Paz de que o Mundo tanto precisa.









quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A caixa de Pandora ou o poder no mundo




O Professor Noam Chomsky, explica aqui, sem reticências, o resultado da Invasão do Iraque:

Interessante notar aos 25 minutos o que diz o entrevistado, Noam Chomsky: "Se virmos as análises dos peritos americanos, os antigos analistas da CIA sobre o Médio Oriente, eles apontam para o óbvio. Dizem que o Estado Islâmico é o resultado da invasão americana no Iraque. A invasão do Iraque é certamente o maior crime deste milénio. Matou centenas de milhares de pessoas, com todo o tipo de tortura, terrorismo, destruição e com cerca de quatro milhões de deslocados."
Terrivelmente esclarecedor...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Hoje revisitei Eça de Queiroz



 O que dizia Eça de Queiroz há 143 anos: 

 (...) "O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença. O estado de expectativa e de demora cansa os espíritos."..

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sondagens


"Costa apareceu como um salvador messiânico de esquerda"...Mas o PS enquanto não fizer a auto-crítica do governo Socrático que levou o país ao desastre em que se encontra, nunca pode constituir qualquer espécie de alternativa de esquerda".-Garcia Pereira

Discurso premonitório de G. Pereira (ver aqui) a que a sondagem perspectivada acima da UC, parece dar alguma razão. Embora seja cedo para previsões seguras, as expectativas para o PS, partido dito de esquerda, estão a baixar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O que diz Paulo de Morais





Assim fala o candidato a PR no seu livro, Janela do Futuro:

"Passados 41 anos, o regime  democrático saído do 25 de Abril está já agonizante. As liberdades conquistadas em 1974 parecem garantidas, como o direito de expressão e reunião. Mas a democratização prometida está longe de ser alcançada.
O poder é hoje exercido não pelo povo, mas pelos grandes grupos económicos, com o predomínio dos financeiros, dos construtores e promotores imobiliários. As eleições não geram verdadeiras alternativas, apenas permitem a alternância no poder dos maiores partidos. A distribuição de benesses, cargos, "tachos", é prática generalizada. A classe política usufrui, em democracia, de privilégios bem maiores de que no tempo da ditadura fascista."
In Janela do Futuro, pá. 15.

A 1ª. edição do livro, lançada em Julho deste ano, com 130 páginas, tem capítulos muito mais acutilantes e actuais do que o trecho acima., dos quais  se destaca o seguinte:

"O regime constitucional está agonizante: a Assembleia da República, sede da democracia, abastardou-se, os governos mentem todos os dias, o povo tem sede duma justiça que nunca chega. Neste jogo, neste momento em particular e com tantos jogadores a fazer batota, o jogador mais importante pode ser...o árbitro."

Nesta clara alusão às funções do PR, cargo para o qual se candidata, Paulo Morais faz do combate à corrupção o seu principal objectivo o que não é fácil num país em que a mesma é evidente (apesar de negada por algumas figuras controversas) e onde os corruptos e os corrompidos são mais do que muitos. A sua aposta na "regeneração do regime" e na transparência dos órgãos do Estado, está a criar anti-corpos nos políticos instalados que irão tentar denegrir a sua imagem o que é, aliás, um bom indício de que este professor universitário está no bom caminho, pese embora os ventos e marés adversas que terá de enfrentar para conseguir o seu patriótico desiderato.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Corrupção

Marquês de Maricá
"Um povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrupto".
-Marquês de Maricá.

Talvez esteja aqui, em parte, a razão porque o povo anda há tanto tempo a votar nos mesmos...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O saque continua

"Pedro Passos Coelho e Paulo Portas estão convencidos de que vão ganhar as próximas eleições legislativas. O ministro Pires de Lima e o secretário de Estado Sérgio Monteiro não estão. E vai daí, decidiram esta coisa extraordinária: avançar já com a concessão por 10 anos dos transportes colectivos do Porto (metro e STCP), dispensando novo concurso público, que é coisa sempre demorada...."
 O título do artigo é, "Uma decisão vergonhosa", mas entendemos que ficaria melhor: O saque continua.
Ler tudo aqui. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A Música e a Alma

Ouvindo Mozart num final de tarde de Verão:
"Quão pouco é preciso para ser feliz! O som de uma gaita. - Sem música a vida seria um erro."



sábado, 18 de julho de 2015

O pensamento do dia

Não te acostumes com o que não te faz feliz,
revolta-te quando julgares necessário.
Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.

Fernando Pessoa

sábado, 30 de maio de 2015

A República está doente



O actual sistema político só muda com uma CRP diferente e com uma nova lei eleitoral que possibilite o povo de votar nas pessoas que conhece e não nos partidos do arco do poder. Estes têm sido os principais culpados da actual situação a que se chegou, graças às políticas neoliberais que têm implementado, à sua subserviência ao capitalismo selvagem, à banca e aos chamados donos disto tudo. Defendem mais os seus interesses e ideologias e os interesses dos lóbis que os apoiam do que os verdadeiros e indeclináveis interesses de Portugal e dos portugueses. Têm tomado decisões avulsas, não referendadas, contrárias à vontade popular que se traduzem num autêntico esbulho à classe trabalhadora e aos pensionistas, na vã tentativa de controlar a dívida pública. A abstenção progressiva, nas sucessivas eleições, é um sinal grave do descontentamento do povo, idêntico ao da 1ª República, que o autismo dos governantes ignora ostensivamente, pois o seu objectivo é continuar no poder de qualquer modo e a qualquer preço. 
Salazar percebeu os sinais da abstenção e deu-lhe voz no plebiscito de 1933. De uma assentada acabou com a 1ª. República instaurando e legalizando assim o Estado Novo. De algum modo pode dizer-se que antiga CRP era tanto ou mais legítima que a actual constituição, pois aquela foi referendada pelo povo, sendo esta apenas aprovada pelos grupos parlamentares, o que não deixa de ser um dos defeitos da democracia representativa. 
Com este texto estamos a fazer a apologia da ditadura? Claro que não. Só queremos dizer que o sentido de serviço ao país, não existe ou é ineficaz; que Portugal deixou de ser um país de brandos costumes e que interesses iníquos, a corrupção e a fome, proliferam o que não abona o Estado de Direito que queremos ser. 
A República está doente. É imperioso reconhecê-lo e agir enquanto é tempo, para a salvar e com ela a Democracia renascida  com o advento do 25 de Abril.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

O Amanhecer de outra Era



"É impossível que o tempo actual não seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou três casos pessoais que conheço do século passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limitações, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no início dela. Além disso heróica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora é esta ferocidade que se vê, esta coragem que não dá para deixar abrir um panarício ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferença haverá entre uma humanidade que é daqui, dali, de acolá, conforme a brisa, e uma colónia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e não têm mais nenhuma hesitação nem mais nenhum entrave.
Miguel Torga, in "Diário (1942)"

Quão longe estão os valores de hoje daqueles de que falava Miguel Torga, um Homem sério e autêntico como as fragas da sua terra. Dá para pensar, sobretudo, na "ferocidade" de certos actos e acções de delinquentes, vítimas de uma sociedade em crise, que despejam as suas frustrações no seu semelhante. Dá para pensar em certos políticos e outros quejandos que, para sair da crise e solver a dívida de que eles são os principais autores, não hesitam em sacrificar os cidadãos mais vulneráveis, cuja "pobreza está a ser substituída pela miséria", Se Torga fosse vivo iria certamente verter lágrimas pelo seu país, como bom português que era. Mal feito fora que o "Tempo Actual não Seja o Amanhecer doutra Era". Mas, com esta gente que nos governa, tenho dúvidas que o tal Amanhecer desponte alguma vez