sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Há 47 anos, o difícil caminho da democracia.



Nunca é demais recordar.

Na manhã de  25 de Abril de 1974, Portugal acorda com uma revolução ou golpe militar, contra a ditadura (consoante a interpretação de algumas fontes). Em 25 de Novembro de 1975, começa o início difícil da democracia do país ameaçado por forças totalitárias de cariz comunista

O confronto militar de consequências imprevisíveis esteve eminente. Uma ditadura de cariz comunista pior do que a anterior esteve por um fio. De um lado os militares patriotas moderados que fizeram o 25 de Abril e o PS de Mário Soares. Do outro lado os golpistas próximos de Vasco Gonçalves e do PCP.

Venceu a democracia.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O Serviço Nacional de Saúde

Fez agora 43 anos que foi criado o SNS cuja existência se deve ao Dr. António Arnaut. Infelizmente o Sistema de Saúde está a sofrer de vários problemas bem conhecidos de todos. 

As causas dos problemas e da eventual falência do SNS que muitos vaticinam, devem ser estudadas por alguém com competência, isenção e humanidade para não deixar cair o nosso sistema de saúde que já foi considerado o 12º dos melhores do mundo. 

A sustentabilidade do SNS é um imperativo da sociedade democrática de hoje e bem assim dos poderes constituídos. Isto para se continuar a defender, fundamentalmente, a saúde dos portugueses mais desprotegidos e honrar a memória do Dr. António Arnaut. 

Embora me pareça que os dois sistemas(público e privado) possam coexistir, não tenho dúvidas que há interesses subterrâneos na questão da saúde. E aqui estará o nó górdio da questão. Ou será só falta de dinheiro por parte do Estado? 

O que estou certo é que se o SNS fosse um banco não faltava dinheiro para o salvar.

sábado, 10 de setembro de 2022

"Putin vai acordar um dia"

"Putin vai acordar um dia, ver que não tem Estado, e será o fim". Isto diz Sergej Sumlenn, especialista em assuntos europeus. Ver aqui.

Se considerarmos que um grupo de deputados municipais russos há bem pouco tempo "pediu à Duma a demissão de Vladimir Putin de Presidente da Rússia por alta traição," a afirmação de Sergej Sumlenny de que "Putin vai acordar um dia e será o fim", surge como uma profecia que todos os homens de boa vontade e amantes da Paz desejam que se concretize o mais breve possível, pese embora os defensores putinistas que, subtilmente ou não, fazem a apologia da invasão da Ucrânia. É que, em pleno século XXI, não se justifica que um novo Átila (flagelo de Deus) ponha em causa a sobrevivência da Europa e, no sentido mais lato, todo o Ocidente onde vigoram os valores da democracia.

Post scriptum: "É esta a guerra que levará a Federação Russa à desintegração, defende Sergej Sumlenny. O especialista em questões da Europa de Leste e antigo diretor da organização política ecologista Heinrich-Böll-Stiftung, em Berlim, acredita que dentro de poucos anos a Rússia — mescla de várias culturas — será fraturada em Estados independentes, com um ressentimento latente em relação a Moscovo.
O analista político, que há mais de uma década se dedica às questões da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia, diz, nesta entrevista ao Expresso, que Moscovo não tem qualquer possibilidade de vencer a guerra."

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Os anões de Putin

 Putin tem uma legião de anões mais vasta do que a de Pedro o Grande. Basta pensar em todos os que torcem para que a Rússia ganhe. Quando proclama o seu imorredoiro amor pela paz é isso que o PCP pede.

Pedro, o Grande, tinha aquilo que, até ao século XVIII, se chamava um “gabinete de curiosidades”. Simon Sebag Montefiore, no seu livro sobre Os Romanov, dá-nos a lista de algumas das peças que figuravam nessa colecção: um hermafrodita vivo (que acabou por fugir), anões e gigantes, igualmente vivos, que, depois de mortos, eram embalsamados ao lado dos órgãos genitais de um hermafrodita, irmãos siameses, bebés com duas cabeças e, com o tempo, cabeças embalsamadas de cortesãos (muitos) caídos em desgraça. Mas eram os gigantes e os anões que sobretudo o fascinavam, particularmente os segundos. Fazia-os, por exemplo, em certas festas, saírem nus de enormes bolos. Punha particular empenho em organizar os seus casamentos, escoltando-os até ao leito nupcial. Distribuía-os em grande número aos grandes dignatários. É verdade que gostava também de apresentar gigantes finlandeses vestidos com roupa de bebé. Mas os anões eram a sua especialidade, por assim dizer.

Como se sabe, Putin manifestou recentemente a sua admiração por Pedro, o Grande, a propósito das suas conquistas na guerra contra a Suécia. De algum modo, é com Pedro, o Grande, que Putin se quer medir. Politicamente, entenda-se, já que, fisicamente, o caso é perdido. Pedro, o Grande, era de facto muito alto (2,03 metros, parece), e Putin não passa dos 1,68. Já que a estatura média de um anão é de 1,40, Putin está mais próximo dos anões de Pedro do que do próprio Pedro, o que nos permite pensar que este último o afeiçoaria singularmente. Mas a emulação política permanece compreensível. E até, se formos adeptos da psicologia adleriana, eminentemente inteligível. Um complexo de inferioridade abre largas avenidas para um complexo de superioridade compensatório.

À sua maneira, Putin tem, ele mesmo, uma legião de anões infinitamente mais vasta do que a de Pedro. Basta pensar em todos aqueles que, explícita ou implicitamente, torcem para que a Rússia ganhe, e ganhe depressa, a sua guerra contra a Ucrânia. Quando proclama o seu imorredoiro amor pela paz é isso que, por exemplo, o PCP pede, como toda a gente percebe. O PC tem um lugar de excelência entre a extensa legião dos anões de Putin. Não é uma imagem agradável, mas, em contrapartida, possui alguma verosimilhança: numa esplêndida festa no Kremlin, Putin faria sair, de dentro de um gigantesco bolo, a totalidade dos membros do Comité Central no estado em que a natureza os trouxe ao mundo. Talvez pudesse até dar lugar a uma memorável primeira página do Avante.

Mas não há nenhuma razão para ficarmos pelo PC. Os anões de Putin encontram-se um pouco por todo o lado. E a questão que se coloca é a de saber quais são os ingredientes fundamentais que colaboram de forma activa neste processo de nanização mental e política. Estamos aqui condenados à especulação. A minha, tão boa como outra qualquer, é que um elemento fundamental nesta matéria é um velho tema da filosofia política que encontramos, por exemplo, em Locke e em Hume: o entusiasmo. E o entusiasmo em duas das suas facetas: entusiasmo positivo e entusiasmo negativo.

O entusiasmo positivo é aquele que nos faz aderir incondicionalmente àquilo que desejamos como um bem. O entusiasmo negativo é aquele que nos faz rejeitar, não menos incondicionalmente, aquilo que vemos como um mal. Noutra linguagem, o primeiro é uma figura da atracção, o segundo uma encarnação da repulsa. E, o que é fundamental, ambos devem ser concebidos de um modo absoluto, sem falhas que possam introduzir alguma dúvida ou moderação.

Apliquemos este esquema aos anões de Putin, sem qualquer preocupação de exaustividade. Do lado do entusiasmo positivo encontramos, por exemplo, o velho amor pelo poder bruto, o culto da virilidade como virtude política, a adesão instantânea àqueles que se apresentam como prováveis vencedores e, como pano de fundo, a apetência por regimes políticos não-democráticos. Do lado do entusiasmo negativo, o anti-americanismo puro e duro, o protesto contra a decadência moral do Ocidente, o ancestral desprezo por aqueles que se apresentam como virtuais perdedores e, como pano de fundo, a detestação da democracia.

É indecidível qual dos dois entusiasmos é mais determinante no processo de nanização. O mais provável é eles darem-se ambos inseparavelmente em conjunto. No fundo, o entusiasmo positivo reforça o entusiasmo negativo e o negativo reforça o positivo, em graus que variam conforme os indivíduos. Num aspecto, no entanto, é o entusiasmo negativo que fornece o quadro mais importante da nanização putinesca: porque é ele que permite a criação de teorias conspiratórias que conferem ao processo de nanização a forma de uma certeza alucinada. A sua expressão mais simples é a de que o mundo visível é por definição enganador e que é necessário buscar, por detrás deste, por detrás do óbvio e do patente, um invisível onde resida a verdade que nos é sistematicamente escondida, sob a forma de uma potência maléfica que tudo manobra. A extrema desconfiança dá lugar a uma ilimitada credulidade. Por exemplo: no mundo visível, a Rússia invadiu a Ucrânia num acto de agressão inteiramente livre – mas, no mundo invisível, a invasão russa foi, do princípio ao fim, condicionada e determinada pela exclusiva acção dos Estados Unidos, os únicos verdadeiros responsáveis pela guerra em curso. De resto, por uma idealização simples e com ambições de elegância, os Estados Unidos são os únicos agentes dotados de uma verdadeira causalidade eficaz neste nosso velho planeta.

O “gabinete de curiosidades” de Putin está cheio destas curiosas almas que andam aos pulinhos por todo o lado. Não custa imaginar o olhar terno e benevolente com que o autocrata contempla os seus entusiasmos. Tanto quando aplaudem a guerra como quando falam, de olhos em alvo, da paz. Porque este “pacifismo” tem uma longa história. Ando a ler um livro (excelente) do historiador inglês Tim Bouverie, Appeasing Hitler, que oferece inúmeros exemplos do “amor pela paz” antes da invasão da Polónia. E, é claro, a Inglaterra estava muito longe de ter o exclusivo destas coisas. Em França, basta pensar, por exemplo, em dois autores muito conhecidos: o romancista Jean Giono e o filósofo Alain. Ambos eram pacifistas militantes. Giono, mesmo depois da invasão da França, não via qualquer diferença entre os nazis e os Aliados, além de manifestar no seu diário uma absoluta indiferença face ao destino dos judeus. Alain, que toda a gente, mesmo a que nunca o leu, conhece por causa de uma frase célebre – “Se alguém diz que não é de esquerda ou de direita, certamente que não é de esquerda” –, além de confessar o seu antissemitismo, declarava, também num seu diário, esperar que a Alemanha ganhasse a guerra, “pois é preciso que o género De Gaulle não vença entre nós” (curiosamente, como a Ucrânia para Putin, também para ele a França não tinha sido invadida pela Alemanha – era uma coisa diferente).

Hitler já tinha os seus anões. E os anões de Putin são muito parecidos com os dele. Por mim, tenho às vezes vontade de os mandar para o gabinete de Pedro. Iam sentir-se em casa. 

Paulo Tunhas - in Observador.


quarta-feira, 8 de junho de 2022

Holodomoro estalinista e a chantagem da fome

 

Não é nova a cobiça de Moscovo pelas terras negras e férteis da Ucrânia do sul, à volta das cidades de Kherson, Zaporizhzhia e Odessa.

É lá que é plantada uma quantidade considerável dos cereais ucranianos, a quarta maior produção mundial de milho e a terceira de trigo.

Cereais cobiçados, mas cereais necessários para matarem a fome a uma parte considerável da população mundial. Caso estes cereais apodreçam nos silos ucranianos, 250 milhões de seres humanos ficam em risco de fome e 440 milhões deixam de poder comprar os produtos feitos à base de cereais de que necessitam para o essencial da sua alimentação.

A cobiça pelos cereais ucranianos vem já dos longínquos anos 30 do século passado, do tempo de Estaline. É aquilo a que os ucranianos chamaram de holodomor ou o "deixar morrer à fome". Quase cinco milhões de cidadãos de etnia ucraniana morreram à fome nos anos de 1931 a 1933. A causa foi a bárbara política do ditador soviético Estaline, que obrigou os agricultores ucranianos, através de uma "requisição compulsória", a entregarem ao Estado soviético a maior parte da produção de cereais ucranianos. Três anos que custaram cinco milhões de vidas de ucranianos que pereceram à fome.

Não é pois nova a questão dos cereais na Ucrânia!

Ucrânia e Rússia, os celeiros do mundo, são responsáveis pela produção de 28 % de trigo, 29% de cevada e 78% de óleo de girassol.
É com os cereais da Ucrânia que as Nações Unidas matam a fome a cerca de 155 milhões de seres humanos, que habitam os destinos pobres de África e do Médio Oriente. Egipto, Gana, Senegal, Líbano, vá se lá saber como a população de maior carência de nutrição destes países vai alimentar-se este ano se persistir o bloqueio.

Apesar da guerra e ainda com os silos cheios dos 25 milhões de toneladas da colheira anterior, os ucranianos já lançaram mãos à obra para as sementeiras deste ano. Trigo, cevada, aveia, girassol e soja. Mas os campos estão minados, os trabalhadores agrícolas ucranianos deixaram as alfaias e vestiram o camuflado para combaterem as tropas invasoras russas. A escassez de combustível para os tractores agrícolas, a destruição de silos pelos russos, o bombardeamento de depósitos de combustível, vão fazer cair a produção em cerca de 50% dos 106 milhões de toneladas de cereais que a Ucrânia semeou em 2021. E depois, onde vão os ucranianos armazenar as novas colheitas se as anteriores continuam a apodrecer nos armazéns portuários sem que os navios as consigam carregar?

O cinismo do Kremlin já se fez ouvir sobre o assunto. E lá vem a chantagem! A Rússia está pronta "para ajudar a uma exportação sem entraves", mas só se o Ocidente levantar as sanções. Depois, no dizer de Putin, os barcos não circulam por causa das minas ucranianas no Mar Negro. Mas isso não impediu que um barco russo saísse de Mariupol rumo à cidade russa de Rostov, carregado com 2700 toneladas de metal roubado aos ucranianos num miserável exercício de pilhagem. Pilhagem que chegou também aos cereais, onde os russos estão a carregar navios com cereais ucranianos no porto de Sebastopol, na Crimeia. Um derivado da metodologia estalinista!

Os cereais são uma questão sensível que pode fazer escalar a guerra. Os países bálticos, Estónia e Lituânia, profundos conhecedores do modo de actuação do Kremlin, falaram em enviar navios de guerra para o Mar Negro para furar o bloqueio que a Marinha russa está a fazer aos portos da Ucrânia.

Imagine-se, contudo, o risco de uma operação deste tipo? Mas até quando poderá o mundo continuar a assistir a uma situação de flagrante violação do Direito Internacional? Até quando a Rússia, impunemente, vai continuar na senda de lançar o caos num equilíbrio mundial construído ao longo das últimas décadas? Até quando Putin pode, impunemente, pôr em causa o direito à alimentação de seres humanos mais pobres e desfavorecidos do mundo? Até quando Putin poderá continuar com esta chantagem da fome, com contornos muito idênticos ao que fez Estaline no holodomor?

Mas onde é que Merkel teria a cabeça quando vislumbrou em Putin um parceiro confiável?

DN António Capinha-Jornalista

03 Junho 2022 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

De sábio e de louco todos temos um pouco

 

1-Desde sempre que houve homens sábios e prudentes à mistura com loucos.  Nos dias de hoje verificamos que há pessoas e organizações que se preocupam em preservar o meio ambiente. Há também, felizmente, voluntários que dão a sua ajuda desinteressada aos países mais pobres e subdesenvolvidos. Este é o lado positivo. Mas há também pessoas que fomentam a guerra e o terrorismo. Lançando milhares de pessoas na miséria e no sofrimento.  Vemos ainda agricultores que destroem os produtos agrícolas que têm em excesso e não conseguem escoar, quando há povos a morrer à fome e que precisam deles para sobreviver. Este é o aspecto mais negro a que podemos designar de loucura.

Vem isto a propósito do livro “ Elogio da Loucura “ de Erasmo ( 1).  Quase todos já ouviram falar do programa Erasmo que permite aos estudantes universitários o intercâmbio e a mobilidade com outras universidades europeias. Acredito, porém, que poucas saibam quem foi a figura que deu o nome a esse programa.

 

2- Erasmo nasceu em Roterdão na Holanda em 1496 e morreu em 1536 na Basileia, Suiça, com 70 anos de idade. Foi frade dos cónegos regrantes de Santo Agostinho e obteve o grau de doutor pela Universidade de Bolonha. Distinguiu-se ainda como filósofo, pedagogo e moralista. Viveu no período agitado da Reforma protestante e foi uma grande figura do humanismo cristão e do renascimento. É contemporâneo de Maquiavel e de Tomás Morus de quem era amigo e a quem dedica o livro “ Elogio da Loucura “. Sabe-se também que manteve contactos com os portugueses André de Resende e Damião de Góis.

Da leitura das suas obras podemos concluir que era um crítico dos métodos escolásticos e que rejeitava a filosofia e teologia medievais. Tal como Lutero advogava a reforma da Igreja mas nunca entrou em ruptura com Roma. Entendia que  tudo se devia resolver por meios pacíficos e nunca através de revoluções. A Igreja para se reformar teria tão só de  seguir um cristianismo simples, autêntico e de acordo com o Evangelho. O seu intuito reformador mereceu de alguns críticos do século XVI, o seguinte comentário :  "Erasmo pôs os ovos que Lutero chocou. “ Mais tarde chegou mesmo a ser designado de  “erasmismo “ à corrente que seguiu o pensamento de Erasmo

 

3-De todas as obras de Erasmo a mais popular e talvez a mais lida foi sem dúvida  “ O Elogio da Loucura “ Erasmo elogia ironicamente a loucura dos que se sentem bem na ignorância e na estupidez ou na exploração dos mais fracos. A Loucura manifesta-se em todas as classes da sociedade. As críticas abarcam um leque muito variado de temas: a guerra que é “ feita de parasitas, infames, ladrões, assassinos, imbecis, devedores , escroques em suma pela escória da sociedade “  ; as superstições dos que rezam ,fazem votos e acendem velas pelas intenções e promessas mais absurdas ; os maus teólogos  que se interessam  por mesquinhices e formalidades sem sentido ; os sermões de alguns frades em que “ a erudição é tanta que os Apóstolos precisariam de outro Espírito Santo para discutirem esses assuntos com os novos teólogos “ .  Erasmo critica ainda os jurisconsultos (“ que pretendem o primeiro lugar, pois são os mais vaidosos dos homens “ ; os filósofos (“  não sabem nada e gabam-se de que tudo sabem  e nem se conhecem a si próprios “ ) ;  os reis e príncipes ( “ julgam cumprir plenamente a função real indo assiduamente à caça, criando belos cavalos, traficando a seu grado cargos e magistraturas, inventando todos os dias novos processos de o seu fisco se apoderar das fortunas dos súbditos .. “ )

Tal como Gil Vicente , fustigou os grandes do seu tempo ( meirinhos, juízes, corregedores ) e foi mesmo acusado de  “erasmismo “ devido ao seu espírito crítico e reformador, também Erasmo não poupou ninguém, chegando mesmo a criticar os soberanos pontífices, cardeais e bispos ( “ hoje em dia os bispos apenas se preocupam em apascentar-se a si próprios, deixando o cuidado do rebanho a Cristo e aos que chamam irmãos e seus vigários “ )

Mais para o fim do livro, Erasmo refere outro tipo de loucura, ou seja , a dos que se deixaram arrebatar pela piedade cristã e desprezando as coisas do mundo se orientam para a vida espiritual que conduz à eternidade.

 

4-O Elogio da Loucura é um tema ainda hoje actual.  Na sociedade em que vivemos encontramos, como no século XVI, um pouco de tudo :  os que se dedicam à fraude e à corrupção ; os bobos da política ou que fazem da política um espectáculo ; os servidores subservientes que procuram agradar para daí colher os seus frutos e os políticos com intuitos modernizadores que mandam às malvas a ética e a moral.

Mas no mundo nem tudo é mau. Felizmente também ainda há os que se deixam apoderar de uma sã loucura. Estão neste caso os que se dedicam a actividades humanitárias e filantrópicas ; os que ajudam com dinheiro ou em géneros os pobres e necessitados e também os que procuram por todos os meios assegurar a Paz no Mundo.

 

1- As citações foram extraídas do livro “ Elogio da Loucura- Erasmo, publicações Europa-América .

 

 

 

FRANCISCO  MARTINS

 

Nota: a actualidade e a pertinência do texto da autoria de Francisco Martins que parabenizo é evidente; sacado do blog pontodemira.blogs.sapo.pt às 20:57

sábado, 21 de maio de 2022

Vaidade de vaidade...



"Vaidade de vaidade é tudo vaidade, diz o pregador".

A humildade não desonra ninguém, mas se não tivermos vaidade do que nos enobrece enquanto povo, nem vaidade do valor daquilo e daqueles que amamos, quem é que a vai ter por nós?

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Canção Portuguesa de origem Céltica (?)



Que os celtas estiveram em Portugal é verdade. "E a sua presença foi no Norte, antiga Gallaecia Bracarense e Noroeste." Há quem diga ainda que estiveram no Alentejo e no Algarve. O cantar é, obviamente, Alentejano. Mas o que importa aqui realçar é o antigo espírito pioneiro e indomável dos portugueses de antanho que deram novos mundos ao Mundo!
 

Recordar é viver


O anúncio acima da Regata Internacional apresenta um atleta de eleição que foi várias vezes campeão nacional de remo indoor, skiff individual, skiff de fundo em duplo scul e bem assim vencedor de várias provas internacionais, nomeadamente em Tui, Itália e na Lituânia. Do seu palmarés constam vários troféus que fazem parte do espólio do Ginásio Clube Figueirense e não só.
O menino e desportista de ontem (meu neto) é hoje engenheiro de informática e mestre em design e multimédia. Gosto de todos os meus netos e tenho igual carinho por todos eles. Mas ao ver a foto acima, não pude deixar de fazer o elogio que ele merece: parabéns Tiago pelo teu percurso de vida!

quinta-feira, 28 de abril de 2022

"A Mística de Putin"

  

"Cruzando antropologia, sociologia e reportagem, Anna Arutunyan relata as mais importantes histórias de Putin na última década, apresentando uma perspectiva por dentro do poder de um homem cujas acções são completamente dissonantes dos padrões da democracia europeia, mas que estão em perfeita consonância com a tradição da autocracia russa. Arutunyan revela um país em que cada soberano, com ou sem coroa, desempenha o papel de um czar."


A primeira edição do livro saiu em outubro de 2014, mas considerando a actual invasão da Ucrânia a mando de Putin e as suas ameaças de recorrer ao poder nuclear, creio que as dúvidas são poucas de que hoje estamos em presença de um dos mais perigosos governantes à face da terra.

domingo, 10 de abril de 2022

PÁSCOA DIFERENTE

 

 


Numa altura em que na Europa se iniciou uma guerra que já causou milhares de mortos e que pode por em causa o nosso futuro e a sobrevivência da humanidade é bom lembrar que a Páscoa é sinónimo de ressurreição.

Ressurreição que pode não ser no sentido literal do termo, mas no sentido do homem novo que sacode as sandálias do pó de caminhos difíceis que muitas vezes o obrigam a trilhar, devido a políticas e preconceitos desumanos onde avultam as lutas pelo poder mundial, cujo objectivo não é a dignificação do ser humano, mas a sua sujeição a vis interesses que não se compadecem com os mais fracos e desprotegidos.

Desejo uma PÁSCOA FELIZ a todos os leitores do Limonete; aos meus amigos/as e não amigos e aos meus amigos virtuais, esperando que no próximo ano possa renovar este desejo e que todos o possam ver.

domingo, 20 de março de 2022

A guerra na Ucrânia e as teorias da conspiração

"A Rússia não faz guerra ao povo ucraniano, mas a um pequeno grupo de pessoas no seio do Poder norte-americano que transformou a Ucrânia à sua revelia, os Straussianos. "- Thierry Meyssan.

Teorias absurdas ou não, a guerra em curso às portas da Europa não começou só porque o novo "Estaline" se lembrou de invadir e massacrar a Ucrânia independente e o seu povo. As intenções de hegemonia continuam. E esse pode ser o objectivo de Putin com o pretexto de defender as fronteiras da Federação Russa. Há jogos ocultos dos senhores da guerra e pretensos donos do mundo que nos escapam. Não é só a Rússia e eventualmente a China, além de outros poderes subterrâneos (in)suspeitos, que podem por em causa a Paz e até a  sobrevivência do género humano no mundo. Os USA também têm culpas no cartório por acções de intromissão condenáveis em territórios alheios, pese embora sejam os valores da democracia que nos são tão caros, que a América e o Ocidente defendem. Até porque não nos podemos esquecer da luta da América na 2. GG mundial a defender a Europa contra Hitler que só acabou com a utilização do poder nuclear com que agora Putin nos ameaça. Quem faz a invasão de países  e massacra povos inocentes esquece as lições do passado. A tentativa da instalação dos mísseis nucleares em Cuba não pode ser esquecida. Será que os países do Ocidente estavam a querer fazer o mesmo na Ucrânia? Não se sabe ao certo, até porque há informações contraditórias. Pessoalmente não acredito. Mas o que os senhores da guerra não podem esquecer é o que alguém disse durante a guerra fria: "A humanidade tem de acabar com a guerra, antes que a guerra acabe com a humanidade".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Miguel Torga, actual

 Um texto que não deixa de nos surpreender pela sua actualidade e pela dureza semelhante às escarpas do Corgo. O conhecido e relevante Miguel Torga, escritor, poeta e médico português nascido em Sabrosa, Trás-os-Montes, parece mesmo que está ainda no nosso meio:

"Todas as noites acordado até desoras, à espera da última cena de pancadaria num jogo de futebol, do último insulto num debate parlamentar, do último discurso demagógico num comício eleitoral, da última pirueta dum cabotino entrevistado, da última farsa no palco internacional. Crucificações masoquistas, que a prudência desaconselha e a imprudência impõe. Vou deste mundo farto de o conhecer e faminto de o descobrir..."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Debates legislativas

 A oposição na política serve para "jarretar qualquer Governo" e impedi-lo de andar para aí aos pinotes. Mas, no caso português, parece que os partidos da oposição não sabem fazê-lo. E, se não sabem, também não servem para governar. Os debates para as legislativas de 2022 até agora vistos na comunicação social deixam muitas dúvidas aos eleitores. Temos um Rio que mete muita água e um Ventura com ideias radicais que um qualquer caudilho não desprezaria.

A dedução lógica é que o PS vai ser Governo novamente. A grande dúvida é se terá a maioria. Do mal, o menos. E, porque de irresponsabilidade já estamos fartos, vamos pedir a todos os Santos que o recente chumbo do orçamento de Estado não se vá repetir.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

FELIZ ANO NOVO DE 2022


 Este ano de 2021, prestes a finar-se daqui a poucas horas, não vai deixar boas recordações à maioria dos portugueses por várias razões, entre as quais avulta a pandemia do covid 19. "Situação de calamidade para todo o território nacional continental a partir das 00H00 de 1de Dezembro de 2021 até às 23H59 do dia 20 de Março de 2022."- (Resolução do Conselho de Ministros nº157/2021 de 27 de Novembro).
 

Finou-se também, por agora, com tais medidas extraordinárias, a liberdade e a alegria do costume quando os portugueses festejavam a passagem de ano, tal como acontecia no passado recente. São necessários cuidados extraordinários e capacidade de adaptação para se poder vencer esta maldita pandemia que não se sabe bem como começou nem quando acaba.

Pese embora os problemas do ano que agora finda, o LIMONETE deseja um FELIZ ANO NOVO de 2022 a todos os leitores e amigos que por aqui ainda vêm dar um vista de olhos, ao pouco que, por força de circunstâncias pessoais, o seu autor ainda vai publicando.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

FIGUEIRA DA FOZ, cidade há 139 anos


 
A Figueira da Foz, foi elevada à categoria de cidade há 139 anos por decreto Régio de D. Luís I de Portugal.
Enquanto cidade, está no Mapa e, mais do que isso, no coração dos Figueirenses e dos que fizeram deste recanto maravilhoso de Portugal a sua terra de eleição.
Para comemorar esta data, dou à estampa, com a devida vénia, um texto do meu amigo, Fernando Curado:

"No final do século XVIII, a aglutinação de vários casais que se chamavam o Paço, a Abbadia, o Monte, o Valle, as Lamas, e outros, deu origem a uma só povoação, com aproximadamente 2000 habitantes, a qual, por decreto de 12 de Março de 1771, foi elevada à categoria de vila com o nome de "Figueira da Foz do Mondego".
Esta vila cresceu muito rapidamente e, 111 anos depois, em 20 de Setembro de 1882, ascendeu à categoria de cidade, com a denominação actual de “Figueira da Foz”, "atendendo a ser aquela uma das mais importantes vilas do reino pela sua população e riqueza".
Quarenta e oito dias antes, a 3 de Agosto de 1882, D. Luís I, acompanhado da rainha D. Maria Pia de Sabóia, do príncipe D. Carlos, do infante D. Afonso e de vários ministros, esteve na Figueira da Foz a inaugurar o troço de linha férrea que nos ligava à Pampilhosa.
O advogado e empresário Dr. Francisco Lopes Guimarães era então o Presidente da Câmara Municipal, cargo que desempenhou de 1880 a 1886, pertencendo ao Partido Progressista que na altura era oposição ao governo do Partido Regenerador de Fontes Pereira de Melo que governou quase ininterruptamente de 1871 a 1886.
Entre 1870 e 1890 a Figueira da Foz desenvolveu-se intensamente. O comércio de exportação de vinhos para o Brasil e para França, de sal para a Terra Nova, de madeira para o Sul de Espanha e de laranja para Inglaterra permitiu a acumulação de capitais.
O fluxo turístico aumentava e muitos investimentos foram feitos na área da hotelaria e dos espectáculos. A Figueira da Foz desenvolveu-se como nunca!
Assistiu-se a um forte desenvolvimento, com fortes reflexos urbanísticos, realçando-se as indústrias do vidro, cerâmica e mineira, as obras de requalificação portuária, a construção do Farol Velho (1858), a construção do Bairro Novo de Santa Catarina (1869), a iluminação pública com candeeiros a petróleo (1870), uma nova estrada para Coimbra (1871), a instalação da fábrica de vidro do Cabo Mondego (1872), a inauguração do Teatro Príncipe D. Carlos (1874), a inauguração do Americano (1875), a construção da estrada para Leiria (1875), a fundação da metalúrgica Mota de Quadros (1878), a fundação dos Bombeiros Voluntários (1882) e a chegada do comboio à Figueira da Foz (1882).
Foram estes os factos que mereceram a elevação da Figueira a cidade em 20 de Setembro de 1882:
“Attendendo a que a Villa da Figueira da Foz, no districto de Coimbra, é actualmente uma das mais importantes do reino pela sua população e riqueza; e desejando por ocasião da minha recente visita áquella villa, dar aos habitantes d’ella um solemne testemunho de apreço pelos honrados esforços que têem empregado para o seu progressivo desenvolvimento: hei por bem fazer mercê á dita villa da Figueira da Foz de a elevar á categoria de cidade com a denominação de Cidade da Figueira da Foz; e me apraz que n’esta qualidade gose de todas as prerrogativas, liberdades e franquias que directamente lhe pertencerem, devendo expedir-se á respectiva camara Municipal a competente carta, em dois exemplares, uma para titulo d’aquella corporação e outra para ser depositada no real Archivo da Torre do Tombo. O ministro e secretario d’estado dos negócios do reino assim o tenha entendido e faça executar. Paço, em 20 de Setembro de 1882”.
A Figueira tinha então pouco mais de cinco mil habitantes (em 1878 a Figueira tinha 1080 fogos e 5676 habitantes e Buarcos 800 fogos e 3182 habitantes), aos olhos de hoje uma pequena cidade, como bem mostram as fotos da época.
Quatro meses depois, em Janeiro de 1883, na revista O Ocidente escrevia-se:
“A Figueira é das povoações de Portugal que nos últimos tempos mais se tem desenvolvido (…). Ainda nos princípios deste século passado era apenas uma aldeia com 300 habitantes e pouco mais desenvolvimento tinha, quando em 1771 El-Rei D. José a elevou à categoria de vila. (…) Hoje, a Figueira é uma cidade que está crescendo a olhos vistos, organizando companhias edificadoras que têm aumentado consideravelmente o número de edificações, ascendendo já a não menos de 1600 fogos, com cerca de 6000 habitantes. Possui edifícios notáveis, incluindo um magnífico teatro e seu porto está defendido por uma doca de construção recente (…). O seu aspecto é alegre e festivo e de um delicioso pitoresco, a par do seu belo clima. Este conjunto de atractivos, chama um grande número de banhistas, na estação própria, às suas magníficas praias.
O seu comércio é importante, para o que lhe basta ter um magnífico porto de mar por onde se exporta grande quantidade de sal, azeite, vinhos e cereais, etc.
Agora o caminho-de-ferro da Beira Alta vai dar-lhe mais elementos de vida e desenvolvimento assegurando um futuro próspero a esta boa terra.”
O crescimento continuava, dois anos depois, em 1884, ocorreu a inauguração do Teatro-Circo Saraiva de Carvalho, com a maior sala de espectáculos do país, a formação da primeira empresa armadora em 1885, a adjudicação do abastecimento de água em 1886, a chegada da linha férrea do Oeste em 1888, a criação da Aula de Desenho Industrial em 1888, a Escola Industrial em 1889, a iluminação a gás também em 1889, a fundação das Oficinas do Mondego em 1891, a construção do Jardim Municipal em 1891, a construção do Mercado Municipal em 1892, a constituição da Associação Naval 1.º de Maio em 1893, a inauguração do Museu em 1894, a fundação do Ginásio em 1895, a primeira seca de bacalhau em 1896 e a construção dos Paços do Concelho em 1897."

Parabéns à minha linda cidade e a todos os seus maiores que fizeram desta terra uma das mais belas cidades de Portugal.

sábado, 18 de setembro de 2021

Entourage ou não, eis a questão

 
Nos bastidores da política Figueirense, parece haver um entendimento tácito da família do PSD e do CHEGA para votarem no movimento Figueira a Primeira, nas próximas eleições autárquicas do dia 26. Eventualmente pode não ser bem isso. Mas uma leitura atenta de alguns comentários e textos do face e blogosfera local, leva-nos a pensar que muitos votos desta possível entourage irão desaguar no rio da contradição e do oportunismo, onde alguns “democratas” cá do burgo e não só, costumam navegar.

Não poucas vezes, os entendimentos da chamada direita partidária, velados ou públicos, com outras forças políticas piores (para não lhes chamar de extrema direita) levaram a resultados totalmente contrários aos interesses do povo, quer nas eleições legislativas, quer nas autárquicas.

No actual contexto político citadino, para não se cair no logro ou no grande “equívoco” de se votar em alguém que é de fora (embora ser da terra não seja um valor absoluto como alguém já disse) não basta dizer, considerando certas empatias partidárias absurdas (ou talvez não): “diz-me com que andas e dir-te-ei quem és”. Mais do que isso importa saber a verdadeira razão do regresso à Figueira da Foz do “gastador/contumaz” dos dinheiros públicos por onde tem passado, cuja permanência tem sido tão efémera quanto criticada e polémica.
 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

My country, right or wrong

 


(…) Digo isto para que fique bem claro que sou homem de paz, nada dado a revoltas e violências, o que não impede que, sonhando acordado, me veja a conceber estratégias para solucionar a nossa desgraça, às vezes perguntando quantos serão os senhores que detêm o poder em Portugal. Serão seiscentos? Setecentos? Mais do que isso não serão, tenho quase a certeza que aos mil não chegam, e se uma tarde se agrupassem no Terreiro do Paço junto da estátua, com tanto turista que por ali anda nem se daria por eles.
Compare-se agora essa mão-cheia de poderosos com os dez milhões que somos, e a conclusão impõe-se: não se trata de desequilíbrio, mas de um absurdo, nada saudável para eles e para nós de proveito nulo. Por vias travessas levou-me isso a pensar na batalha de Aljubarrota, quando trinta mil deitaram a fugir diante de sete mil, mas a comparação é trôpega, pois nem nós nos vemos medrosos como os castelhanos, nem os senhores do poder mostram o talento do Condestável.
De modo que a solução terá de vir por outros meios, mas é bom que não demore e eles se dêem conta de que assim não for só perde quem tem. Nós, os dez milhões, pouco temos para perder. 

J. Rentes de Carvalho-O País do Solidó.

Pós-texto:
Depois de ler na íntegra o fundamental do livro em apreço, não posso deixar de fazer o despretensioso comentário que se segue:

Tal como J. Rentes de Carvalho, acredito que há muitos portugueses a sonhar acordados e a conceber estratégias para solucionar as nossas desgraças que são algumas com destaque para a corrupção. Com efeito somos o País do Solidó que é o mesmo que dizer do Tiro-liro-liro e do Tiro-liro-ló. Só que os protagonistas do Tiro-liro-liro, são os que estão lá em cima e mandam no país e fazem o que querem.

Cá em baixo está o tiro-liro-ló que é o povo, cuja vontade de cantar e dançar a concertina é cada vez menos devido ao elevado custo de vida, aos impostos, ao desemprego e à corrupção para a qual não existe um combate sério. O pretexto da “presunção de inocência” e os offshores são as passadeiras na auto-estrada da corrupção e do enriquecimento ilícito frequentemente usadas por figuras gradas do regime que aproveitam os alçapões da lei para escapar à justiça.

Fomos heróis do mar e nobre povo? Seguramente que fomos. Mas, nas actuais circunstâncias, estamos longe de o ser.
Hoje lutar pela Pátria não é marchar contra os canhões que é um conceito ultrapassado. O 25 de Abril terá feito algum bem? Claro que fez, mas este “venha a nós a roubalheira” tem de ser combatido com coragem e patriotismo e uma nova adenda à letra do hino nacional português: “contra os ladrões,” marchar, marchar…