segunda-feira, 2 de maio de 2022

Relembrando o 1º de Maio de 1974

 


"1 de Maio de 1974, celebrava-se a nova Democracia nascida em 25 de Abril. E começava, em Portugal, uma das batalhas mais significativas da Guerra Fria em que litigavam o Bloco de Leste (liderado pela União Soviética) e o Ocidente (liderado pelos Estados Unidos). O representante em Portugal da União Soviética era Cunhal, que instrumentalizou os governos de Portugal a favor da estratégia internacional comunista, nomeadamente entregando Angola ao Bloco de Leste. Simbolicamente, Cunhal optou por não cantar o hino (ver foto). O delegado dos interesses dos americanos foi Mário Soares, sempre apoiado e financiado pelo seu amigo americano embaixador Carlucci, de quem ficou sempre dependente. O político verdadeiramente independente, apenas leal ao interesse nacional, que teve problemas com a CIA, que condenou o Bloco de Leste, iria aparecer uns dias mais tarde: Sá Carneiro."

Não é para admirar que Álvaro Cunhal não tivesse cantado o nosso hino Nacional. Ele nunca deixou de ser um caixeiro-viajante dos interesses de Moscovo. Todavia, inteligente como era, escondia isso com o pretexto da luta dos trabalhadores e do combate à ditadura em que efectivamente se empenhou. Mário Soares foi um extraordinário e habilidoso jongleur da política que, corajosamente, se opôs a Cunhal evitando o perigo do país ficar sujeito ao poder dos comunistas e a uma ditadura pior do que a que vivíamos, perigo esse só esconjurado de facto, com o 25 de Novembro de 1975.  

Quanto à Sá Carneiro, creio mesmo que era um homem sério e patriota. A morte dele nunca foi devidamente esclarecida o que leva a crer que foi vítima de interesses ocultos.

 NOTA:

Texto com aspas e fotografia sacados da pag. do face do Prof. Paulo de Morais de 01 de Maio de 2020, ao tempo com 1,4mil gostos, 654 comentários e 389 partilhas.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

"A Mística de Putin"

  

"Cruzando antropologia, sociologia e reportagem, Anna Arutunyan relata as mais importantes histórias de Putin na última década, apresentando uma perspectiva por dentro do poder de um homem cujas acções são completamente dissonantes dos padrões da democracia europeia, mas que estão em perfeita consonância com a tradição da autocracia russa. Arutunyan revela um país em que cada soberano, com ou sem coroa, desempenha o papel de um czar."


A primeira edição do livro saiu em outubro de 2014, mas considerando a actual invasão da Ucrânia a mando de Putin e as suas ameaças de recorrer ao poder nuclear, creio que as dúvidas são poucas de que hoje estamos em presença de um dos mais perigosos governantes à face da terra.

domingo, 10 de abril de 2022

PÁSCOA DIFERENTE

 

 


Numa altura em que na Europa se iniciou uma guerra que já causou milhares de mortos e que pode por em causa o nosso futuro e a sobrevivência da humanidade é bom lembrar que a Páscoa é sinónimo de ressurreição.

Ressurreição que pode não ser no sentido literal do termo, mas no sentido do homem novo que sacode as sandálias do pó de caminhos difíceis que muitas vezes o obrigam a trilhar, devido a políticas e preconceitos desumanos onde avultam as lutas pelo poder mundial, cujo objectivo não é a dignificação do ser humano, mas a sua sujeição a vis interesses que não se compadecem com os mais fracos e desprotegidos.

Desejo uma PÁSCOA FELIZ a todos os leitores do Limonete; aos meus amigos/as e não amigos e aos meus amigos virtuais, esperando que no próximo ano possa renovar este desejo e que todos o possam ver.

domingo, 20 de março de 2022

A guerra na Ucrânia e as teorias da conspiração

"A Rússia não faz guerra ao povo ucraniano, mas a um pequeno grupo de pessoas no seio do Poder norte-americano que transformou a Ucrânia à sua revelia, os Straussianos. "- Thierry Meyssan.

Teorias absurdas ou não, a guerra em curso às portas da Europa não começou só porque o novo "Estaline" se lembrou de invadir e massacrar a Ucrânia independente e o seu povo. As intenções de hegemonia continuam. E esse pode ser o objectivo de Putin com o pretexto de defender as fronteiras da Federação Russa. Há jogos ocultos dos senhores da guerra e pretensos donos do mundo que nos escapam. Não é só a Rússia e eventualmente a China, além de outros poderes subterrâneos (in)suspeitos, que podem por em causa a Paz e até a  sobrevivência do género humano no mundo. Os USA também têm culpas no cartório por acções de intromissão condenáveis em territórios alheios, pese embora sejam os valores da democracia que nos são tão caros, que a América e o Ocidente defendem. Até porque não nos podemos esquecer da luta da América na 2. GG mundial a defender a Europa contra Hitler que só acabou com a utilização do poder nuclear com que agora Putin nos ameaça. Quem faz a invasão de países  e massacra povos inocentes esquece as lições do passado. A tentativa da instalação dos mísseis nucleares em Cuba não pode ser esquecida. Será que os países do Ocidente estavam a querer fazer o mesmo na Ucrânia? Não se sabe ao certo, até porque há informações contraditórias. Pessoalmente não acredito. Mas o que os senhores da guerra não podem esquecer é o que alguém disse durante a guerra fria: "A humanidade tem de acabar com a guerra, antes que a guerra acabe com a humanidade".

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Miguel Torga, actual

 Um texto que não deixa de nos surpreender pela sua actualidade e pela dureza semelhante às escarpas do Corgo. O conhecido e relevante Miguel Torga, escritor, poeta e médico português nascido em Sabrosa, Trás-os-Montes, parece mesmo que está ainda no nosso meio:

"Todas as noites acordado até desoras, à espera da última cena de pancadaria num jogo de futebol, do último insulto num debate parlamentar, do último discurso demagógico num comício eleitoral, da última pirueta dum cabotino entrevistado, da última farsa no palco internacional. Crucificações masoquistas, que a prudência desaconselha e a imprudência impõe. Vou deste mundo farto de o conhecer e faminto de o descobrir..."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Debates legislativas

 A oposição na política serve para "jarretar qualquer Governo" e impedi-lo de andar para aí aos pinotes. Mas, no caso português, parece que os partidos da oposição não sabem fazê-lo. E, se não sabem, também não servem para governar. Os debates para as legislativas de 2022 até agora vistos na comunicação social deixam muitas dúvidas aos eleitores. Temos um Rio que mete muita água e um Ventura com ideias radicais que um qualquer caudilho não desprezaria.

A dedução lógica é que o PS vai ser Governo novamente. A grande dúvida é se terá a maioria. Do mal, o menos. E, porque de irresponsabilidade já estamos fartos, vamos pedir a todos os Santos que o recente chumbo do orçamento de Estado não se vá repetir.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

FELIZ ANO NOVO DE 2022


 Este ano de 2021, prestes a finar-se daqui a poucas horas, não vai deixar boas recordações à maioria dos portugueses por várias razões, entre as quais avulta a pandemia do covid 19. "Situação de calamidade para todo o território nacional continental a partir das 00H00 de 1de Dezembro de 2021 até às 23H59 do dia 20 de Março de 2022."- (Resolução do Conselho de Ministros nº157/2021 de 27 de Novembro).
 

Finou-se também, por agora, com tais medidas extraordinárias, a liberdade e a alegria do costume quando os portugueses festejavam a passagem de ano, tal como acontecia no passado recente. São necessários cuidados extraordinários e capacidade de adaptação para se poder vencer esta maldita pandemia que não se sabe bem como começou nem quando acaba.

Pese embora os problemas do ano que agora finda, o LIMONETE deseja um FELIZ ANO NOVO de 2022 a todos os leitores e amigos que por aqui ainda vêm dar um vista de olhos, ao pouco que, por força de circunstâncias pessoais, o seu autor ainda vai publicando.

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

FIGUEIRA DA FOZ, cidade há 139 anos


 
A Figueira da Foz, foi elevada à categoria de cidade há 139 anos por decreto Régio de D. Luís I de Portugal.
Enquanto cidade, está no Mapa e, mais do que isso, no coração dos Figueirenses e dos que fizeram deste recanto maravilhoso de Portugal a sua terra de eleição.
Para comemorar esta data, dou à estampa, com a devida vénia, um texto do meu amigo, Fernando Curado:

"No final do século XVIII, a aglutinação de vários casais que se chamavam o Paço, a Abbadia, o Monte, o Valle, as Lamas, e outros, deu origem a uma só povoação, com aproximadamente 2000 habitantes, a qual, por decreto de 12 de Março de 1771, foi elevada à categoria de vila com o nome de "Figueira da Foz do Mondego".
Esta vila cresceu muito rapidamente e, 111 anos depois, em 20 de Setembro de 1882, ascendeu à categoria de cidade, com a denominação actual de “Figueira da Foz”, "atendendo a ser aquela uma das mais importantes vilas do reino pela sua população e riqueza".
Quarenta e oito dias antes, a 3 de Agosto de 1882, D. Luís I, acompanhado da rainha D. Maria Pia de Sabóia, do príncipe D. Carlos, do infante D. Afonso e de vários ministros, esteve na Figueira da Foz a inaugurar o troço de linha férrea que nos ligava à Pampilhosa.
O advogado e empresário Dr. Francisco Lopes Guimarães era então o Presidente da Câmara Municipal, cargo que desempenhou de 1880 a 1886, pertencendo ao Partido Progressista que na altura era oposição ao governo do Partido Regenerador de Fontes Pereira de Melo que governou quase ininterruptamente de 1871 a 1886.
Entre 1870 e 1890 a Figueira da Foz desenvolveu-se intensamente. O comércio de exportação de vinhos para o Brasil e para França, de sal para a Terra Nova, de madeira para o Sul de Espanha e de laranja para Inglaterra permitiu a acumulação de capitais.
O fluxo turístico aumentava e muitos investimentos foram feitos na área da hotelaria e dos espectáculos. A Figueira da Foz desenvolveu-se como nunca!
Assistiu-se a um forte desenvolvimento, com fortes reflexos urbanísticos, realçando-se as indústrias do vidro, cerâmica e mineira, as obras de requalificação portuária, a construção do Farol Velho (1858), a construção do Bairro Novo de Santa Catarina (1869), a iluminação pública com candeeiros a petróleo (1870), uma nova estrada para Coimbra (1871), a instalação da fábrica de vidro do Cabo Mondego (1872), a inauguração do Teatro Príncipe D. Carlos (1874), a inauguração do Americano (1875), a construção da estrada para Leiria (1875), a fundação da metalúrgica Mota de Quadros (1878), a fundação dos Bombeiros Voluntários (1882) e a chegada do comboio à Figueira da Foz (1882).
Foram estes os factos que mereceram a elevação da Figueira a cidade em 20 de Setembro de 1882:
“Attendendo a que a Villa da Figueira da Foz, no districto de Coimbra, é actualmente uma das mais importantes do reino pela sua população e riqueza; e desejando por ocasião da minha recente visita áquella villa, dar aos habitantes d’ella um solemne testemunho de apreço pelos honrados esforços que têem empregado para o seu progressivo desenvolvimento: hei por bem fazer mercê á dita villa da Figueira da Foz de a elevar á categoria de cidade com a denominação de Cidade da Figueira da Foz; e me apraz que n’esta qualidade gose de todas as prerrogativas, liberdades e franquias que directamente lhe pertencerem, devendo expedir-se á respectiva camara Municipal a competente carta, em dois exemplares, uma para titulo d’aquella corporação e outra para ser depositada no real Archivo da Torre do Tombo. O ministro e secretario d’estado dos negócios do reino assim o tenha entendido e faça executar. Paço, em 20 de Setembro de 1882”.
A Figueira tinha então pouco mais de cinco mil habitantes (em 1878 a Figueira tinha 1080 fogos e 5676 habitantes e Buarcos 800 fogos e 3182 habitantes), aos olhos de hoje uma pequena cidade, como bem mostram as fotos da época.
Quatro meses depois, em Janeiro de 1883, na revista O Ocidente escrevia-se:
“A Figueira é das povoações de Portugal que nos últimos tempos mais se tem desenvolvido (…). Ainda nos princípios deste século passado era apenas uma aldeia com 300 habitantes e pouco mais desenvolvimento tinha, quando em 1771 El-Rei D. José a elevou à categoria de vila. (…) Hoje, a Figueira é uma cidade que está crescendo a olhos vistos, organizando companhias edificadoras que têm aumentado consideravelmente o número de edificações, ascendendo já a não menos de 1600 fogos, com cerca de 6000 habitantes. Possui edifícios notáveis, incluindo um magnífico teatro e seu porto está defendido por uma doca de construção recente (…). O seu aspecto é alegre e festivo e de um delicioso pitoresco, a par do seu belo clima. Este conjunto de atractivos, chama um grande número de banhistas, na estação própria, às suas magníficas praias.
O seu comércio é importante, para o que lhe basta ter um magnífico porto de mar por onde se exporta grande quantidade de sal, azeite, vinhos e cereais, etc.
Agora o caminho-de-ferro da Beira Alta vai dar-lhe mais elementos de vida e desenvolvimento assegurando um futuro próspero a esta boa terra.”
O crescimento continuava, dois anos depois, em 1884, ocorreu a inauguração do Teatro-Circo Saraiva de Carvalho, com a maior sala de espectáculos do país, a formação da primeira empresa armadora em 1885, a adjudicação do abastecimento de água em 1886, a chegada da linha férrea do Oeste em 1888, a criação da Aula de Desenho Industrial em 1888, a Escola Industrial em 1889, a iluminação a gás também em 1889, a fundação das Oficinas do Mondego em 1891, a construção do Jardim Municipal em 1891, a construção do Mercado Municipal em 1892, a constituição da Associação Naval 1.º de Maio em 1893, a inauguração do Museu em 1894, a fundação do Ginásio em 1895, a primeira seca de bacalhau em 1896 e a construção dos Paços do Concelho em 1897."

Parabéns à minha linda cidade e a todos os seus maiores que fizeram desta terra uma das mais belas cidades de Portugal.

sábado, 18 de setembro de 2021

Entourage ou não, eis a questão

 
Nos bastidores da política Figueirense, parece haver um entendimento tácito da família do PSD e do CHEGA para votarem no movimento Figueira a Primeira, nas próximas eleições autárquicas do dia 26. Eventualmente pode não ser bem isso. Mas uma leitura atenta de alguns comentários e textos do face e blogosfera local, leva-nos a pensar que muitos votos desta possível entourage irão desaguar no rio da contradição e do oportunismo, onde alguns “democratas” cá do burgo e não só, costumam navegar.

Não poucas vezes, os entendimentos da chamada direita partidária, velados ou públicos, com outras forças políticas piores (para não lhes chamar de extrema direita) levaram a resultados totalmente contrários aos interesses do povo, quer nas eleições legislativas, quer nas autárquicas.

No actual contexto político citadino, para não se cair no logro ou no grande “equívoco” de se votar em alguém que é de fora (embora ser da terra não seja um valor absoluto como alguém já disse) não basta dizer, considerando certas empatias partidárias absurdas (ou talvez não): “diz-me com que andas e dir-te-ei quem és”. Mais do que isso importa saber a verdadeira razão do regresso à Figueira da Foz do “gastador/contumaz” dos dinheiros públicos por onde tem passado, cuja permanência tem sido tão efémera quanto criticada e polémica.
 

quinta-feira, 1 de julho de 2021

My country, right or wrong

 


(…) Digo isto para que fique bem claro que sou homem de paz, nada dado a revoltas e violências, o que não impede que, sonhando acordado, me veja a conceber estratégias para solucionar a nossa desgraça, às vezes perguntando quantos serão os senhores que detêm o poder em Portugal. Serão seiscentos? Setecentos? Mais do que isso não serão, tenho quase a certeza que aos mil não chegam, e se uma tarde se agrupassem no Terreiro do Paço junto da estátua, com tanto turista que por ali anda nem se daria por eles.
Compare-se agora essa mão-cheia de poderosos com os dez milhões que somos, e a conclusão impõe-se: não se trata de desequilíbrio, mas de um absurdo, nada saudável para eles e para nós de proveito nulo. Por vias travessas levou-me isso a pensar na batalha de Aljubarrota, quando trinta mil deitaram a fugir diante de sete mil, mas a comparação é trôpega, pois nem nós nos vemos medrosos como os castelhanos, nem os senhores do poder mostram o talento do Condestável.
De modo que a solução terá de vir por outros meios, mas é bom que não demore e eles se dêem conta de que assim não for só perde quem tem. Nós, os dez milhões, pouco temos para perder. 

J. Rentes de Carvalho-O País do Solidó.

Pós-texto:
Depois de ler na íntegra o fundamental do livro em apreço, não posso deixar de fazer o despretensioso comentário que se segue:

Tal como J. Rentes de Carvalho, acredito que há muitos portugueses a sonhar acordados e a conceber estratégias para solucionar as nossas desgraças que são algumas com destaque para a corrupção. Com efeito somos o País do Solidó que é o mesmo que dizer do Tiro-liro-liro e do Tiro-liro-ló. Só que os protagonistas do Tiro-liro-liro, são os que estão lá em cima e mandam no país e fazem o que querem.

Cá em baixo está o tiro-liro-ló que é o povo, cuja vontade de cantar e dançar a concertina é cada vez menos devido ao elevado custo de vida, aos impostos, ao desemprego e à corrupção para a qual não existe um combate sério. O pretexto da “presunção de inocência” e os offshores são as passadeiras na auto-estrada da corrupção e do enriquecimento ilícito frequentemente usadas por figuras gradas do regime que aproveitam os alçapões da lei para escapar à justiça.

Fomos heróis do mar e nobre povo? Seguramente que fomos. Mas, nas actuais circunstâncias, estamos longe de o ser.
Hoje lutar pela Pátria não é marchar contra os canhões que é um conceito ultrapassado. O 25 de Abril terá feito algum bem? Claro que fez, mas este “venha a nós a roubalheira” tem de ser combatido com coragem e patriotismo e uma nova adenda à letra do hino nacional português: “contra os ladrões,” marchar, marchar…