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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Raúl Brandão-biografia

 
 


Raúl Brandão, militar, escritor e jornalista:

"Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outra tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho poluído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida, titubeando como a comecei. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares, extraio ternura de uma pedra."

Nota: Prefácio do 1º. volume das Memórias de Raúl Brandão.

"Frequentou o curso superior de Letras, mas ingressou na carreira militar. Colocado em Guimarães, retirou-se para a Casa do Alto, quinta próxima de Guimarães, local de produção da maior parte da sua obra literária, alternando o isolamento nortenho com estadias em Lisboa, onde desenvolveu paralelamente uma atividade jornalística, tendo colaborado em publicações como o Imparcial, Correio da Noite, Correio da Manhã e O Dia. Nestes últimos, é constante o seu debruçar sobre o terrível drama da condição humana, perpassado pelo sofrimento, a angústia, o mistério e a morte. São também constantes as referências aos ofendidos e humilhados, face visível da expressão humana que é um dos motivos mais regulares na sua obra."

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

CARBONÁRIA



"Sociedade sinistra e cruel para uns.
Sonho de liberdade para outros.
Mas onde estará a verdade,
no meio de tanto sangue e segredos?"

Livro de Mário Silva Carvalho com o qual ganhou em 2012 o prémio Literário João Gaspar Simões, atribuído pela Câmara Municipal da Figueira da Foz.

"Em 1907, o jovem Constantino da Silva chega a Lisboa. Fugira de Coimbra devido a uma zaragata em que atacou um miguelista para proteger um grupo de estudantes republicanos. O deslumbre com a capital, tão maior e mais sofisticada que o resto do país, logo é substituído pela realidade: Lisboa é uma cidade pobre, esfaimada e onde o conflito entre monárquicos e republicanos deixa mortos e feridos nas ruas."...
Deve ser lido para quem quiser conhecer "uma das épocas mais importantes e turbulentas da História de Portugal."

Bandeira da Carbonária: repare-se na "semelhança" com a actual bandeira nacional.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Priorado do Cifrão

(João Aguiar)

Aqui estou hoje a fazer a mesma coisa. A escrever umas linhas para manter o meu próprio ritmo e também na presunção de esconjurar o tédio ou a apatia de alguns dos meus leitores que aqui vêm dar uma vista de olhos de vez em quando.

Raúl Brandão disse: "Existe uma certa grandeza em repetir todos os dias a mesma coisa. O homem só vive de detalhes e as manias têm uma força enorme: são elas que nos sustentam."

Neste seu aforismo, o escritor referia-se, certamente, ao homem comum, porque há outros homens que se sustentam, não com manias, mas com o dinheiro sonante que vão subtraindo ao povo, motivados por uma crise que eles próprios pariram. E é deste imbróglio maldito a que conduziram a sociedade actual de que fala João Aguiar no seu livro, "O Priorado do Cifrão", que ando a ler.

Sobre o autor, diz Miguel Real o seguinte:
"Os seus romances constituem uma afirmação vigorosa de contestação ao actual modo dominante de vida em Portugal, obcecado pela emergência de um espírito falsamente cosmopolita, sem pudor nem escrúpulos, psicologicamente ambicioso, maximamente idólatra da riqueza e do poder e socialmente repugnante, oportunista, propiciador de abruptas clivagens nas estruturas familiares e políticas seculares de Portugal."

Na minha perspectiva, um livro a não perder.


(Ver biografia)