quarta-feira, 13 de março de 2013

Manifestos sim, mas com quem?

"Um manifesto assinado por 60 notáveis de esquerda, lançado esta terça-feira, pede a ruptura no sistema político, que diz ser “a raiz de todos os males”. O documento, assinado, entre outros, por militantes do Partido Socialista como Henrique Neto, Manuel Maria Carrilho e o antigo deputado Joaquim Ventura Leite, arrasa as políticas de Passos Coelho e dos que estando no poder afirmam “por incompetência partidária e governativa” que as famílias e os trabalhadores são os culpados pela crise."
-In Notícias ao minuto.

Os manifestos em Portugal têm uma longa tradição histórica e sempre ocorreram em momentos de crise interna ou em casos mais graves em que a Pátria corria perigo ou a sua soberania era posta em causa, como do Ultimato Inglês em 1890 que nos obrigou abandonar os territórios do projecto do Mapa cor-de-rosa que pretendia unir Angola a Moçambique. A afronta inglesa e o orgulho nacional ferido deram origem a uma genuína revolução popular de dimensões nunca vistas que se generalizou de Norte a Sul do País.

Entre outros e antes do Ultimato, sobressai “o período da Restauração em 1640 como emblemático para esses Manifestos de Portugal. Manifestos que posicionavam o reino luso em relação ao estrangeiro, fosse ele o inimigo espanhol, um aliado, ou o papa. Essas relações construíam identidade de Portugal.”


Existe uma certa similitude com o que aconteceu muitas vezes no passado e com o que se passa hoje. A ingerência estrangeira nos destinos do país e dos portugueses imposta pelos nossos credores (via troika) de que os sucessivos governos são culpados, é mais um exemplo  (talvez o último) de um Portugal que já foi independente e soberano. Por isso, e porque o povo ainda não percebeu bem o que está a acontecer, os manifestos de hoje nunca irão atingir a dimensão e a genuinidade provocadas pelo Ultimato ou de qualquer outro "crime de lesa pátria." 
Os nossos governantes, por razões óbvias,  desvalorizam os manifestos enquanto circunscritos a uma determinada elite de que eles próprios fazem parte e que se conhece mútuamente. Isto faz parte do jogo e da alternância do poder. Têm muito mais medo do descontentamento e da revolta populares.

É verdade "que a Pátria corre perigo, que o sistema político é mau e que é urgente mudar Portugal." Já ontem era tarde. Mas, será possível fazê-lo com alguns dos signatários deste manifesto, usofrutuários da partidocracia e do poder e que são mais do mesmo?
 



1 comentário:

  1. A democracia não existe sem os partidos.O mal dos partidos,reside na forma como são utilizados na conquista e no exercício do poder ou seja naquilo que hoje se chama de partidocracia.
    Para a teoría antiliberal, segundo o filósofo Gustavo Bueno, "a partidocracia constitui uma deformação sistemática da democracia. Cada partido tem que atacar sistemáticamente o outro". Conforme definido por Gonzalo Fernández de la Mora, "a partidocracia é uma forma de Estado na qual as oligarquias partidárias assumem a soberania efectiva", com todos os abusos que daí advêm.

    ResponderEliminar

Os comentários serão publicados após análise do autor do blogue.