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sábado, 21 de janeiro de 2023

A peregrinaCão de Artur Vilar

 


Começa assim o livro, “A peregrinação de Artur Vilar”, do escritor de origem Figueirense, Eduardo Palaio:

Meu pai, um figueirense dos antigos, quer dizer, daqueles para quem a Figueira é a terra mais linda e a melhor em tudo, foi quem me falou primeiro, era eu criança, do Soldado Desconhecido.
Depois, pela Rua Fresca, pela Rua Bela e pela de Santo António, conheci uns velhotes e que usavam uns emblemas iguais na lapela e que tinha andado com o Soldado Desconhecido, como aconteceu com o pai do Reis Jorge, meu colega no Conde Ferreira, de quem se dizia ser gaseado.

Na contracapa, em jeito de introdução, lê-se:
Artur Vilar saiu da Figueira da Foz natal e foi para Angola como voluntário nos primeiros anos do século XX. Diz de si próprio que foi duas vezes cativo, entrou numa guerra mundial e em mais cinco campanhas militares, foi quatro vezes ferido em combate e ficou três meses prostrado na cama por uma cadeirada que o pai lhe deu; foi conspirador e guerreou debaixo de duas bandeiras e dois hinos, teve três esposas, foi dono de roça, sapateiro, pedreiro e caçador por sua conta e por conta de outros; esteve num lazareto, apanhou febre-amarela, pneumónica e seis biliosas; foi pasto de piolhos, teve destino de branco e de negro; nunca levou uma medalha, nem ninguém ouviu falar dele na sua terra. Esta é a história da sua peregrinação, no meio da qual, ao prepararem-se para lhe fazerem uma raspagem sem anestesia no hospital do Lubango, lhe atiraram carinhosamente: “Aguenta, Cão!”

NOTA- Faço aqui um despretensioso comentário: Uma história extraordinária,  muito bem contada por um escritor de eleição que nos prende até à última página. Fala de Lavos, Gala, Buarcos e Tavarede. Um livro que todos os Figueirenses deviam ler.


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Os Morros de Nóqui


Livro da autoria do escritor, Cláudio Lima que esteve na guerra em Angola em 1969 com a patente de Alferes Milº. integrado no B.Artª. 1922/C.Artª-1726 que não deixa de surpreender quem esteve na guerra colonial, no caso vertente em Angola. Dei por este livro há algum tempo na Internet e só há cerca de três dias a livraria Bertrand mo entregou. Li-o de uma assentada.
Ao tempo (minha terceira e última comissão por imposição, sempre em Angola) também fiz parte do mesmo Batalhão, C.Artª. 1725, do autor do livro e posso dizer que a minha passagem por Nóqui foi uma das experiências que mais me marcaram, negativamente, enquanto militar.

"Nóqui é uma província de Angola que foi território português até 1975 e se tornou independente após o advento do 25 de Abril. Como se sabe, foi para Angola ,que se destacaram à pressa milhares de portugueses, combatentes, para defenderem  pessoas e bens da guerra colonial que teve início de 15 de Março de 1961 com a sublevação no Norte da Província, região dos Dembos, que foi teatro  do massacre indiscriminado, pela UPA, de fazendeiros, mulheres e crianças e até de negros, assalariados, da etnia bailunda que trabalhavam na produção e colheita do café. Alguns dos primeiros militares enviados para Angola da C.Artª. 87, no início da guerra, onde me incluo, ainda assistiram em parte, ao cenário e às consequências  de tão trágicos acontecimentos.

  Com o seu livro,“Os Morros de Nóqui”, mais de 30 anos depois do final do conflito armado, Cláudio Lima, pseudónimo de Manuel da Silva Alves, descreve-nos a sua perspetiva da guerra colonial. Uma guerra que ele se viveu dois anos e que conheceu como muitos outros que por lá passaram..." 

O autor faz um advertência logo no início do seu livro: "São ficções o que aqui te proponho". Mas, segundo a crítica que subscrevo, os: "Episódios da guerra, entre o pícaro e o trágico, transmitidos por uma caneta talentosa", ficam, quanto a mim, aquém da realidade, muito mais dolorosa, de que autor com o seu estilo, porventura, evitou falar com mais crueza, por pudor ou para não acordar os fantasmas das experiências dantescas por que passaram muitos combatentes.
Nóqui foi mais uma má recordação da nossa presença em Angola, quer no aspecto da guerra, quer nos bastidores da mesma, onde não pouca vezes pontificaram a arrogância e os abusos de alguém mal intencionado dentro das fileiras e bem assim dos abusos de muitos dos torcionários da polícia política de então. Por isso eu digo que há muitos aspectos da guerra colonial que continuam por contar.
 
Livro a ler por quem gosta desta temática da guerra colonial.

Não posso deixar de dar os meus modestos parabéns ao meu distinto amigo e ex-camarada de armas que é um consagrado escritor que tem recebido elogios de muitos dos seus pares e na imprensa da especialidade que, como é referido acima, diz, referindo-se ao presente livro:"Episódios da guerra, entre o pícaro e o trágico, transmitidos por uma caneta talentosa"...
 




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Os lóbis do Regime

"É na Casa da Democracia que os interesses do lóbis do Regime são transformados em leis. A grande prioridade da nossa Revolução de Cidadania é exigir a alteração imediata dessas leis e uma transformação profunda da Assembleia da República e de todo o sistema político e eleitoral português."
In: Carta a um bom português de J. Gomes Ferreira.

Ler mais aqui sobre a central de interesses