terça-feira, 30 de novembro de 2010

Director-geral da Justiça, demite-se.


Segunda demissão no Ministério da Justiça numa semana.

«Esta demissão confirma o estado de decomposição política do Ministério da Justiça e é a confirmação de que a guerrilha interna que houve entre os dois secretários de Estado continua a ter desenvolvimentos»
Ver aqui.

Apenas brincadeira ou um artista precoce?

Jonathan, um menino com apenas 3 anos de idade, conduz o 4º movimento da 5ª. sinfonia de Beethoven. Só brincadeira ou um artista precoce?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Castelo Engenheiro Silva




Na esplanada Silva Guimarães, um dos locais mais concorridos e visitados da Figueira da Foz, por nacionais e estrangeiros, sendo por isso considerada sala de visitas da cidade, encontra-se em completa degradação o Castelo Engenheiro Silva. Na fofotografia vê-se o estado a que o mesmo chegou, cuja construção remonta a 1903.

Ver aqui
, em pormenor, a história do que hoje é um exemplo gritante do desinteresse e da incúria que envergonham os Figueirenses.

(Clicar na foto)



Berlusconi, Vénus e Marte


Segundo a jornalista brasileira, Vera Araújo que reside em Roma, “mais um inquérito do tribunal de Milão - a partir de uma rede de prostitutas activas no norte da Itália - envolve e ameaça de perto o primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi. Ruby, jovem e linda marroquina - que na época tinha 17 anos - fez depoimento diante dos juízes milaneses afirmando que em 2009 esteve várias vezes na residência de Berlusconi em Arcore, junto com outras jovens, para participar de festas que se concluíam com a "brincadeira" do "bunga-bunga".

Berlusconi aprendeu a "brincadeira", segundo o depoimento de Ruby, com o seu amigo, o líder líbio Muhammar Kadhafi, que costuma fazê-la com seu harém. Ao fim dos banquetes, as moças tiram a roupa e dançam, beijam-se e tomam banho diante de um grupo selecto de convidados, para divertir o "sultão", neste caso Berlusconi.”
Talvez isto ajude a explicar porque é que aos 74 anos, o primeiro-ministro Italiano, Sílvio Berlusconi permitiu que a uma estátua do deus Marte e da deusa Vénus na sua residência oficial de 1º Ministro (Palácio de Chigi) fossem acrescentados um pénis e um braço que faltavam, segundo Miguel Gaspar no suplemento Pública de ontem.

Vénus e Marte talvez agradeçam, mas alguns políticos da oposição italiana é que não gostaram nada da restauração.

Apesar de Berlusconi continuar a ser polémico, nem sempre pelas melhores razões, como é que reagiriam alguns conhecidos políticos se fosse aqui reposto o símbolo da virilidade?!...
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sábado, 27 de novembro de 2010

Campeão Nacional de Remo Indoor

Tiago Silva defendendo o 1º lugar


Tiago Silva, atleta do Ginásio Clube Figueirense acabou de ganhar hoje o Campeonato Nacional de Remo Indoor (ergómetro) 2010 na classe de infantis com o tempo de 1,53 minutos (500 metros). A prova foi disputada em Caminha em duas mangas, tendo participado 24 atletas de vários clubes do País.

O jovem atleta do Ginásio (neto do autor deste blogue) sagra-se assim, pela terceira vez consecutiva, campeão Nacional de Remo naquela modalidade: classe de benjamim em 2008 e infantil em 2009 e 2010.

Parabéns Tiago.
(Foto de arquivo)







quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Exemplos de má gestão dos autarcas locais

Via Outramargem pode ver-se o que diz o actual vereador do pelouro da cultura da Câmara Municipal da Figueira, António Tavares, de alguns aspectos da gestão dos antigos autarcas, agora na oposição.

São estes senhores que se fartam de mandar "bitaites" nas reuniões de Câmara sobre a situação do Município como se nada fosse com eles. Tenham vergonha!

Da greve de ontem

Por causa da crise e da dívida pública cuja culpa não pode ser assacada ao povo trabalhador, desenhou-se mais uma vez a velha luta entre o capital e o trabalho nas principais cidade do nosso País integrado (?) numa Europa pretensamente nova, mas que continua a ser velha nas suas contradições e nas aspirações de hegemonia.
Alguns países nórdicos (Dinamarca e Suécia) que pertencem a uma "outra" Europa, são apontados como o paradigma do equilíbrio entre o capital e o trabalho sendo os seus cidadãos beneficiários de um dos sistemas de protecção social mais avançados do Mundo. Alguns países asiáticos estão nos antípodas desse equilíbrio. Produzem mais? Talvez. Mas serão mais felizes ou menos explorados? Não.
A produção deve ser feita na exacta medida das necessidades do povo. Não pode haver excesso de riqueza para uns nem de pobreza para outros sem o que, a harmonia e o bem-estar do homem nunca será possível. Estamos a assistir a uma nova escravatura em que as pessoas não têm direitos, sendo apenas o veículo para o enriquecimento ilícito de uns tantos banqueiros ou oligarquias sem escrúpulos ou de projectos de globalização com fins não esclarecidos, cujos efeitos já sentimos, em que a arraia-miúda não passará disso mesmo arraia-miúda, se os trabalhadores baixarem os braços na defesa dos seus direitos. Os grandes interesses impõem-se. A luta entre o grande capital e o trabalho continua, não tenhamos dúvidas. Aquele engana, esmaga, retira direitos sociais que são ou deveriam ser inalienáveis. O equilíbrio nesta luta é difícil porque o sentido do esbulho continua subjacente no espírito dos que se comportam como tubarões. Há quem diga que as greves não resolvem nada. Não estou tão certo assim. Talvez venham a resolver como já aconteceu tantas vezes no passado. Cruzar os braços na actual situação seria como que assumir a atitude de um rebanho que segue mansamente para a degola. E se o espírito dos predadores continua a ser o mesmo, o sentido de quem faz uma greve tem que continuar a ser o mesmo também. Assim, o "povo tem que parar e perguntar: "SEM OS NOSSOS BRAÇOS QUE FARIAM VOCÊS? PARA QUEM GOVERNAM, AFINAL?" Esta é uma boa pergunta feita no Público de ontem por Rui Tavares.

Se a resposta a estas questões não for dada por quem de direito, políticos e governantes de todas as latitudes, e o tão almejado equilíbrio não se conseguir, ou o sistema acabará por implodir ou estaremos cada vez mais sujeitos a ser utilizados como animais de produção com o destino inglório e desumano do matadouro.
Acredito, porém, que o destino do homem não é, nem pode ser o açougue dos especuladores capitalistas e dos grandes deste mundo. O povo tem que saber o que quer e aliar esse saber à sua força para exigir democracia e a plenitude dos seus direitos. E o direito à greve é precisamente uma das forças de que dispõe e que deve utilizar com peso conta e medida, até que outras se revelem necessárias para a prossecução desses objectivos.
Invocar as más razões dos que nos conduziram à actual situação para dizer mal da greve, não nos parece de bom senso nem legítimo. Seria, sim, de bom senso e legítimo, que quem levou o nosso País nos últimos anos ao descalabro, não o tivesse feito de forma tão irresponsável e dos quais, em boa verdade, pode dizer-se: nunca tão poucos foram culpados da pobreza e da revolta de tantos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pedra Filosofal

Pedra Filosofal, contra a filosofia desta política.




Ver aqui a letra do poema

As surpresas do dossier BPN

Quem ler a revista Sábado de hoje, irá descobrir a páginas 76, 77, que um conhecido empresário cá do burgo dono de várias empresas, ligadas ao imobiliário, mais parece um balão inchado com euros do BPN. Confesso que não esperava por tanto!

Na lista do BPN de 31 de Outubro de 2008, consta que duas dessas empresas têm uma dívida de quase 44 milhões de euros. Uma outra firma do mesmo empresário, “ligada ao Parques do Mondego, tinha também obtido do BPN um crédito de 18,5 milhões.”

Na página 80 pode ler-se também que Pedro Lima, filho do ex-deputado do PSD, Duarte Lima, está a ser investigado por ter feito um negócio de milhões de euros com a administração do BPN liderada por Oliveira e Costa.

O dossier SLN/ BPN é fértil em casos destes. Esta é mais uma ponta do iceberg que não fica por aqui e não há ninguém que consiga explicar (ou haverá?) como é que estas entidades bancárias emprestavam assim dinheiro sem garantias. Porque se as houvesse era só accioná-las e ficava o assunto resolvido. Estaria já nos projectos dos Madoff “lusitanos” (leia-se Oliveira e Costa e quejandos) que seria o “Zé-dos-anzóis” a pagar o dinheiro que tão prodigamente foi oferecido a estes amigos do alheio?

Seria bom que as investigações em curso e a justiça repondessem a esta pergunta e agissem em conformidade, já que os cidadãos vulgares de Lineu, onde me incluo, esperam que se acabe de vez com a irresponsabilidade, o assalto da banca (via Europa incluída) e a impunidade reinantes que estão a esfrangalhar o nosso País.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Concurso Nacional de Música

Coro Feminino do Conservatório do Vale do Sousa
Coral Cantigas de Tavarede

Ontem, no Teatro Municipal de Beja, Pax Júlia, a Sociedade de Instrução Tavaredense (SIT) esteve a disputar a final do Concurso Nacional de Música na classe de Coros promovido pelo INATEL.
O Coral Cantigas de Tavarede foi o primeiro a actuar pelas 15H00 de entre os quatro grupos intervenientes a saber:

15H00 Sociedade de Instrução Tavaredense
15H45 Associação de Cultura Musical de Lousada
16H30 Casa do Povo de S. Roque Faial
17H00 Clube Portugal Telecom

Após a exibição de todos os grupos em presença em que foi notória a excelente exibição do Coral Cantigas de Tavarede, o júri atribuiu o primeiro lugar ao Coro Feminino do Conservatório do Vale de Sousa da Associação de Cultura de Lousada. O Coral de Tavarede ficou em segundo lugar, com várias considerações elogiosas e com uma menção honrosa atribuída pelo próprio júri numa decisão inédita extra regulamento. Podemos assim dizer que o Coral Cantigas de Tavarede esteve à altura dos pergaminhos da SIT.

O Coro Feminino do Conservatório do Vale de Sousa que obteve o primeiro lugar, fez uma actuação vocal multifacetada muito bem conseguida, com temas oriundos de vários países, não cantando nenhum tema português. Mas, quem decidiu foi o júri o que respeitamos, porque o que também estava em causa era a defesa dum projecto inovador.
O Coro feminino em presença "foi fundado em 2007 e actualmente é composto por 25 elementos, fruto de uma selecção de várias classes de coro existentes naquele Conservatório. Conta já com várias actuações, destacando-se a participação no Festival Internacional de Coros em Albufeira, no qual foram seleccionados para uma apresentação no CCB no projecto “Escolas em Palco”.
Não ficaria de bem comigo mesmo se não desse aqui uma palavra de incentivo aos meus colegas do Coral da SIT do qual faço parte e bem assim um elogio à dedicação e empenho que o meu amigo e Maestro, João da Silva Cascão, tem tido na recuperação das músicas e canções que fazem parte do património histórico local, em que pontifica, sobretudo, o património musical do teatro de Tavarede.
Bem Haja, caro Maestro.

(Clicar nas fotos)

sábado, 20 de novembro de 2010

A Música e a Alma

A sempre bonita e extraordinária música de Mozart:
"Eine Kleine Nachumusik"


Bom fim de semana

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Imagens bonitas da Ilha da Madeira

Antes do terrível temporal

Depois do terrivel temporal

As mulheres fazem a diferença


A propósito da presença do Presidente dos USA no nosso País encontrei na net esta história interessante:


"Numa ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saiu para jantar com sua esposa, Michelle, e foram a um restaurante não muito luxuoso, porque queriam fazer algo diferente e sair da rotina. Estando sentados à sua mesa no restaurante, o dono pediu aos guarda-costas para aproximar-se e cumprimentar a primeira dama, e assim o fez.
Quando o dono do restaurante se afastou, Obama perguntou a Michelle: Qual é o interesse deste homem em te cumprimentar?
Michele respondeu: Acontece, que na minha adolescência, este homem foi muito apaixonado por mim durante muito tempo.
Obama disse então: Ah, quer dizer que se você se tivesse casado com ele, hoje você seria dona deste restaurante?
Michelle respondeu: Não, meu querido, se eu me tivesse casado com ele, hoje ele seria o Presidente dos Estados Unidos"
(Clicar na foto)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A pobreza

Caritas sem mãos a medir
O número de pessoas atendidas pela Caritas, só no último ano, passou de 5000 para 62 000, revelou o presidente da Caritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, durante uma reunião do Conselho Geral da Caritas.



O crime compensa?

"O crime compensa desde que seja de bolsos cheios. A margem na lei criminal existente é nula ou quase nula e não é por falta de capacidade judicial para a aplicar. Esta lei fraca e tímida mostra que não é nenhum crime à democracia defender essa responsabilidade. O que se queria era uma lei exigente e mais clara e objectiva. Mas como são os políticos que as fazem, é sempre assim, para que fique tudo na mesma."
(Rui Rangel in CM)



terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Cigarra e a Formiga

Na perspectiva do blogue "Quinto Poder", ver aqui a existência de semelhanças entre os vizinhos municípios da Figueira da Foz e de Pombal.
O post de hoje também é referido no blogue "Outra Margem" e temos que convir que o problema do desenvolvimento do Concelho da Figueira, mais uma vez na ribalta pela pena de Saraiva Santos que sabe muito bem da poda, como a fama do brandy Constantino, já vem de longe.
Para não recuarmos muito mais poder-se-á mesmo dizer que esse "problema", repetiu-se no tempo do mandato do Engº Aguiar de Carvalho. Foi um erro de estratégia do Município da Figueira que foi muito bem aproveitado pelo Concelho vizinho de Pombal.

A Figueira tem tido alguns problemas especificos, tais como este
aqui e, sobretudo, o maior erro foi nunca se ter apostado, definitivamente, na implantação de polos industriais já que este seria o melhor caminho para o desenvolvimento do Concelho. Valha-nos ao menos a Celbi e a Soporcel. A estratégia do turismo, praias e Verão em que Coimbra estava mais interessada e não só, por razões óbvias, de algum modo sempre impediu essa aposta.

A juntar a isto, outros erros de gestão e despesismo duvidoso levaram à actual situação do Municipio que pode ter ainda mais graves consequências. É que, tal como na fábula, a cigarra gaiteira e desprevenida, como uma dívida tão grande, corre o sério risco de nenhuma formiga lhe valer e ter que dançar durante todo um Inverno que se prevê muito prolongado!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Frases de um génio

Um génio que iluminou um mundo em trevas

"Charlie Chaplin, foi um actor, director, produtor, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi um dos actores mais famosos do período conhecido como Era de Ouro do cinema dos Estados Unidos.

Ele foi maior do que qualquer um. É duvidoso que algum outro indivíduo tenha dado mais entretenimento, prazer e alívio para tantos seres humanos quando eles mais precisavam."


Iludir o óbvio não nos salva


O texto que se segue é da autoria do Professor, Santana Castiho, um Senhor, com letra grande, que merece o nosso respeito e admiração. A verdade, a sapiência e a elegância dos seus imensos artigos de opinião, são uma "pedrada no charco" em que nos meteu um Governo "não por obra e graça", mas sem obra e para desgraça da maioria dos portugueses, pese embora a crise global que se vive que não é a culpada de tudo.

Antes da estafada crise global já o Governo tinha aumentado a despesa corrente do Estado em mais de 12 mil milhões

A tendência para iludir o óbvio foi classificada por Freud como a primeira paixão da humanidade. Não me recordo se o ilustre "psi" clarificou que é sempre a fuga à violência de uma realidade que explica o mecanismo dessa estranha paixão. Mas posso garantir-vos, com a experiência dos desaires que sofri, que iludir o óbvio nunca nos salva.
É óbvio que agarrar nos mais de dois mil milhões de euros do Fundo de Pensões da PT e com eles reduzir artificialmente o défice público é uma intrusão inqualificável na gestão de uma empresa privada e uma trapaça política que catapulta um enorme risco futuro para o Estado, leia-se contribuintes.
É óbvio que transformar quatro mil milhões de dívida privada do BPN em dívida pública, a pagar agora pelos funcionários públicos, pelos reformados e pelos desempregados, foi mais fácil que meter na prisão os responsáveis.
É óbvio que só um desmesurado despudor permite ao Governo dizer que não sabia que tinha um submarino para pagar.
É óbvio que antes da estafada crise global já o Governo tinha aumentado a despesa corrente do Estado em mais de 12 mil milhões de euros e arrecadado, de aumento de impostos e contribuições para a Segurança Social, mais nove mil milhões.
É óbvio que a descida do IVA e o aumento de 2,9 por cento da função pública foram vis manobras eleitorais, que o orçamento de 2010 foi um orçamento de mentira, que os PEC são expedientes mistificadores incapazes de alterar a trajectória suicida do Estado e que o Governo sonegou, sistematicamente, a deplorável situação das contas públicas.
É óbvio que o problema de Portugal, sendo a dívida grande, não é a dívida. É a ameaça de não a poder pagar com uma economia que não cresce, uma produção que se apouca ante um consumo que se agiganta, um desemprego imparável, uma taxa de investimento em derrapagem e um constante aumento dos custos de produção: capital, energia e transportes.
É óbvio que chegámos aqui empurrados por gente trapaceira, por um Governo e um homem que se permitiram, a golpes de decretos-leis iníquos, impor políticas financeiras, económicas, educativas e de saúde erradas, protegidos por uma justiça injusta.
É óbvio que só a promoção do investimento produtivo, o aumento do que vendemos lá fora, a diminuição do que compramos cá para dentro e a recondução do Estado ao seu papel de árbitro justo de interesses opostos nos poderá arrancar às garras de uma máfia de especuladores e agiotas, a que alguns chamam mercado.
É óbvio que a anunciada "corajosa austeridade" não muda o futuro. Safa efemeramente, se safar, o passado recente, extorquindo uma vez mais os cidadãos, esmagando os que não tiveram culpa, sem sequer apontar os que engordaram, enterrando o país. É óbvio que o tempo político deste Estado relapso, que permitiu que gente sem vergonha arrastasse na lama a ética da vida pública, se extinguiu. É óbvio que carrascos não viram salvadores. É óbvio que coveiros não salvam moribundos.
Para iludir o óbvio, bem mais extenso que a síntese supra, uma elite pensante, que reúne notáveis do PSD, economistas de renome (que passaram pelo governo sem fazerem o que agora recomendam) e até o pai do "monstro", que é, nada mais, nada menos, como bem recordou Miguel Cadilhe, Aníbal Cavaco Silva, tem acenado, até à exaustão, com uma realidade violenta: um desastre nacional, se o Orçamento não for aprovado. Talvez tenham razão, ou talvez se imponha antes a lógica de Tiririca (nome artístico de um humorista brasileiro, analfabeto ao que consta, eleito deputado federal por S. Paulo com o segundo maior resultado de sempre, que promoveu a candidatura com este slogan: "Pior do que está não fica. Vote Tiririca!"). Mas entre estes especialistas do pensamento inevitável e Tiririca há, pelo menos, uma irracionalidade que espanta e nenhuma violência de cenário ilude. Então não se sentem incomodados por advogarem a aprovação de um Orçamento do Estado que ainda não foi sequer apresentado e ninguém conhece? Acham que os mercados financeiros ficarão serenos se o Orçamento do Estado estrangular a mais remota hipótese de crescimento económico? Que ficam contentes qualquer que seja o cenário macroeconómico em que o Orçamento assente? Que não se incomodarão com a hipotética persistência em adiar o saneamento das estruturas inúteis do Estado? Economistas e políticos que são, aceitam a continuada recusa do Governo em abrir ao escrutínio da oposição, com verdade e transparência, as contas da execução de 2010, indispensáveis para avaliar a seriedade de 2011?
Sócrates e Teixeira dos Santos desceram a longa ladeira da credibilidade, condenados por si próprios ao suplício de Sísifo. Se o fizeram por incompetência ou por dolo é coisa que se apuraria na Islândia. Mas acabaram. Com ou sem orçamento. Advogar que lhe passemos um cheque em branco, mais um, ignorando o óbvio por receio da realidade violenta é, mais que confirmar a curiosa tese de Freud, impor aos que ainda não ensandeceram o grotesco de Tiririca. Nem o interesse dum futuro candidato à presidência da pobre República o justifica.

In Público, 13/10/2010

(Recebido por mail)

domingo, 14 de novembro de 2010

O pensamento do dia

"Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder."

Paulo Coelho, in "Maktub"