-In Notícias ao minuto.
Os manifestos em Portugal têm uma longa tradição histórica e sempre ocorreram em momentos de crise interna ou em casos mais graves em que a Pátria corria perigo ou a sua soberania era posta em causa, como do Ultimato Inglês em 1890 que nos obrigou abandonar os territórios do projecto do Mapa cor-de-rosa que pretendia unir Angola a Moçambique. A afronta inglesa e o orgulho nacional ferido deram origem a uma genuína revolução popular de dimensões nunca vistas que se generalizou de Norte a Sul do País.
Existe uma certa similitude com o que aconteceu muitas vezes no passado e com o que se passa hoje. A ingerência estrangeira nos destinos do país e dos portugueses imposta pelos nossos credores (via troika) de que os sucessivos governos são culpados, é mais um exemplo (talvez o último) de um Portugal que já foi independente e soberano. Por isso, e porque o povo ainda não percebeu bem o que está a acontecer, os manifestos de hoje nunca irão atingir a dimensão e a genuinidade provocadas pelo Ultimato ou de qualquer outro "crime de lesa pátria."
Os nossos governantes, por razões óbvias, desvalorizam os manifestos enquanto circunscritos a uma determinada elite de que eles próprios fazem parte e que se conhece mútuamente. Isto faz parte do jogo e da alternância do poder. Têm muito mais medo do descontentamento e da revolta populares.
É verdade "que a Pátria corre perigo, que o sistema político é mau e que é urgente mudar Portugal." Já ontem era tarde. Mas, será possível fazê-lo com alguns dos signatários deste manifesto, usofrutuários da partidocracia e do poder e que são mais do mesmo?
