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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Todos fizeram pela vida...



(Aspecto do almoço-convívio de alguns dos ex-combatentes da C.Artª.87 ocorrido no pretérito dia 1 de Junho na Figueira da Foz)

Estiveram em Angola de 1961 a 1963 tendo embarcado em Lisboa no N/M Niassa, em 21 de Abril. Todos fizeram pela vida e lutaram por um Portugal melhor e mais solidário. São das primeiras gerações sacrificadas na guerra colonial. Estes grupo de remanescentes que conheço bem, cumpriram com o seu dever e nunca fizeram nada que merecesse repulsa ou arrependimento mas, hoje já no ocaso da vida, sentem-se frustrados e enganados. Tal como tantos outros combatentes,  nenhum deles está satisfeito com a actual situação do País e temem  pelo futuro dos seus familiares.

(Clicar na foto)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sugestão pertinente


(José da Silva Ribeiro)

Demos conta aqui de uma sugestão que vai no sentido de atribuir o nome do Mestre José da Silva Ribeiro ao novo Centro Escolar de Tavarede.
A sugestão além de pertinente é justa e, sendo feita pelo Dr. Melo Biscaia conhecido figueirense e advogado da nossa terra, cuja actividade como cidadão e jurista é digna dos maiores encómios, deixa pouco lugar a reticências, na nossa modesta opinião.

Aparentemente o único óbice para tão justa atribuição é o facto de o Mestre não ter sido professor em termos oficiais no Ensino Público. Mas este é um pormenor que não impede nem deslustra o acto de justiça. Antes pelo contrário

É preciso não esquecer que o Mestre José da Silva Ribeiro, além de ter sido considerado um dos expoentes máximos do teatro amador em Portugal, foi “o responsável pela educação, instrução e cultura de algumas gerações de conterrâneos seus”.  E este “magistério” foi exercido também, de algum modo, na colectividade (SIT) que durante mais de 30 anos teve uma escola nocturna onde era ministrado o ensino das primeiras letras, frequentada em especial por adultos”.  
A sua acção foi tão relevante em tantos e variados aspectos da sua vida, que “foi homenageado com a “Ordem da Liberdade” que lhe foi imposta pelo General Ramalho Eanes, presidente da República, com a “Medalha de Mérito -Ouro – da Figueira que recebeu das mãos do Secretário de Estado da Cultura, Prof. Doutor David Mourão Ferreira e com a “Medalha de Mérito Cultural” atribuída pela Secretaria de Estado da Cultura a título póstumo em 1987.”
Em termos pedagógicos parece não ser fácil fazer melhor escolha.

E o que é essencial, como diz o autor da sugestão,” é que os estabelecimentos de ensino tenham o nome de alguém que seja referência cívica, política e cultural”.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

In memoriam

Toque do silêncio
Uma extraordinária  e bela interpretação a solo de trompete, muito conhecida, mas que se ouve sempre com respeito e sentimento.
Lembrando os ex-militares da C.Artª. 87 do extinto RAP 3 que estiveram em Angola em 1961/63  e que vão ter o seu próximo convívio no dia 27 de Maio na Figueira da Foz.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Valores intemporais



Aqui viveu o grande  Mestre do Teatro Tavaredense, José da Silva Ribeiro, no nº 60 da Rua Violinda Medina e Silva. Violinda Medina, sua contemporânea  e distinta amadora teatral nascida em Tavarede que, por sua vez, esteve durante mais de 50 anos ao serviço da Sociedade de Instrução Tavaredense.

Clicar na imagem.           

sábado, 17 de abril de 2010

Foi o Soldado

"Foi o soldado não o jornalista quem nos deu a liberdade de imprensa.

Foi o soldado não o poeta, quem nos deu a liberdade de expressão.

Foi o soldado não o agitar de rua quem nos deu a liberdade de manifestação.

Foi o soldado, e não o advogado quem nos deu o direito e a justiça.

Foi o soldado, não o politico quem nos deu o direito de voto.

É o soldado, que saúda a bandeira que serve sob a bandeira cujo caixão está envolto pela bandeira que permite ao manifestante que queime a bandeira"

(Charles M. Province)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dia do Combatente


"O Dia do Combatente assinala-se hoje, mas é amanhã que Cavaco Silva preside, na Batalha, à sessão oficial."

(Clicar na foto para aumentar)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Memorial aos Combatentes"

(Sr. General, Chito Rodrigues no uso da palavra)
Acabei de assistir à cerimónia da inauguração do memorial aos combatentes do Concelho da Figueira da Foz, mortos na guerra do ex-ultramar, presidida pelo senhor General, Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes. Foi uma cerimónia bonita e de grande impacto emocional.

A placa comemorativa, sita no largo Luís de Camões, (Praça Velha) tem inscrita os nomes dos trinta e cinco militares que tombaram no cumprimento do dever entre os quais se encontra o nome de um grande amigo meu, 2º sargento de artilharia, José de Oliveira Fadigas, natural de Tavarede, falecido na antiga Guiné portuguesa.

Com uma grande moldura humana, onde se destacavam antigos combatentes, algumas lágrimas não deixaram de ser percecptíveis nos olhos de alguns deles quando ouviram evocar os nomes daqueles que foram seus camaradas de armas que, com este memorial, de algum modo se libertaram da "lei da morte".

Estiveram presentes, além de outras entidades, os representantes do núcleo da Liga dos Combatentes da Figueira da Foz e o senhor Presidente da Câmara Municipal, Juíz desembargador, João Ataíde das Neves.
Em baixo algumas fotos da efeméride:

(Antes do descerramento)

(Charanga militar e um pelotão do RI de Viseu)

(Sr. General Chito Rodrigues e Pres. da Câmara Municipal em recolhimento)


(Porta estandarte da Liga e memorial)


Nota: Ver discurso aqui.





segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Figueira elevada a cidade há 127 anos


A Figueira da Foz comemorou ontem, dia 20, 127 anos da sua elevação a cidade.

Foi Vila em 1771 e elevada à categoria de cidade pelo Rei D. Luís em 20 de Setembro de 1882.

Nunca teve foral; só o tiveram as antigas sedes de Município, Buarcos em 1.342 e Tavarede em 1516.

A efeméride foi comemorada pela C. Municipal com a presença de Duarte Silva, presidente, Victor Pais, presidente da Assembleia Municipal e Teresa Machado vereadora do pelouro da cultura que depuseram um ramo de flores na Rotunda do Centenário.


( Foto Zéfoz)


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

José da Silva Ribeiro



Na globosfera figueirense apareceu um novo blogue, "Tavarede Terra de Meus Avós" de Victor Medina, desde muito novo ligado à cultura e teatro da SIT. Quem quiser aprofundar a história da terra do Limonete tem aqui um bom intéprete das suas tradições. Por isso dou à estampa um seu post, publicado no pretérito dia 21 de Junho, onde fala do mestre José Ribeiro. Com a devida vénia aqui vai:

"Nasceu em Tavarede, no dia 18 de Novembro de 1894, filho de Gentil da Silva Ribeiro e de Emília Coelho de Oliveira. Faleceu em 13 de Setembro de 1986, quase com 92 anos de idade.
Motivado por seus pais, muito cedo se começou a dedicar ao associativismo e à cultura popular, devotando-se ao teatro. Ele mesmo dizia que, aos seis anos, já acompanhava seu pai à “Figueirense”, onde assistia aos ensaios e representações do Presépio. Também muito jovem se deixou atrair pelo jornalismo.
“Não sou, nem me considero um homem de teatro, no amplo sentido da expressão. Tenho, é verdade, a paixão do teatro. Aos dez anos estreava-me no teatrito do senhor Conde de Tavarede. Fui amador entusiasta e em 1908 já me atrevera ao jornalismo. Guardo o número 7 do jornalzito “O Poeta”, no qual se lêem estas indicações: jornal republicano da juventude figueirense – director José da Silva Ribeiro”. Foi um dos fundadores do Grupo da Juventude Republicana Dr. Bernardino Machado.
Fez a instrução primária, até à terceira classe, em Tavarede, com a professora D. Maria Amália de Carvalho. Completou-a, na Figueira, com a professora D. Guilhermina Jardim. Começou, então, a trabalhar como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Popular e à noite frequentou a Escola Dr. Bernardino Machado.
“Desde muito novo sentiu dentro de si a necessidade de lutar por um dos seus grandes amores: a Liberdade. Republicano e democrata convicto, ardente defensor da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, logo aos 14 anos, agora seria uma criança mas, naquele tempo, já homem feito e com responsabilidades na vida, se dedicou, de alma e coração, aos seus Ideais”.
Ler aqui o resto do post.

sábado, 13 de junho de 2009

Militares de Portugal

( A Guarda Municipal ataca os revoltosos entricheirados na C. Municipal do Porto)
A revolta de 31 de Janeiro de 1891, também chamada a revolta dos Sargentos, foi o 1º movimento revolucionário cujo objectivo foi a implantação da República em Portugal. A revolta falhou sob a acção das forças Monárquicas da Guarda Municipal da cidade do Porto que bombardearam implacavelmente os revoltosos e teve como principal protagonista, entre outros militares o capitão, Amaral. Este ainda tentou opor-se àquelas forças, mas sem êxito. Foi preso e deportado para Angola, com alguns camaradas de armas e civis implicados na revolução:
"CHAMAVA-SE ANTÓNIO AMARAL LEITÃO.NASCEU EM FARMINHÃO (VISEU), EM 07.03.1845, E MORREU EM 14.01.1903. FOI MILITAR NO REGIMENTO DE INFANTARIA 10 NO PORTO. NESTE REGIMENTO TOMOU PARTE ACTIVA NA REVOLTA PRECURSORA DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA, EM 31.01.1891.
NA SEQUÊNCIA DO ULTIMADO INGLÊS ANUNCIADO EM 11.JAN.1890 QUE CAUSARA GRANDE INDIGNAÇÃO NO PAÍS, A PONTO DE TER DADO ORIGEM AO ACTUAL HINO NACIONAL,‘A PORTUGUESA’, CUJOS VERSOS ORIGINAIS PROTESTAVAM CONTRA OS BRETÕES, E DEPOIS PASSOU A CANTAR-SE CONTRA OS CANHÕES. AQUELE MILITAR FOI UM DOS PRINCIPAIS IMPULSIONADORES DA REVOLTA DO PORTO, TENDO RECUSADO CAPITULAR.DURANTE DÉCADAS, OS DEMOCRATAS ANTI-FASCISTAS PORTUGUESES, APROVEITAVAM ESTA DATA PARA REALIZAR COMÍCIOS CONTESTATÁRIOS DO SALAZARISMO, UM POUCO POR TODO O PAÍS.
ERA A OPORTUNIDADE DE MANTER VIVA A CHAMA DA DEMOCRACIA PERDIDA, ENQUANTO NÃO CHEGAVA O 25.ABRIL.74, QUE MUITOS ADMITIAM HAVERIA DE SURGIR APENAS NO FINAL DO SÉCULO XX.MAS, A REVOLUÇÃO DE 31.JANEIRO.1891 FRACASSOU, E OS REVOLTOSOS DE QUE FAZIAM PARTE MUITOS MILITARES, ESTUDANTES, INTELECTUAIS, ETC., FORAM PRESOS OU TIVERAM QUE FUGIR, ACABANDO MUITOS POR SER DETIDOS E JULGADOS. FOI O QUE ACONTECEU AO CAPITÃO LEITÃO. FUGIU DO PORTO DIRIGINDO-SE PARA A SUA TERRA (FARMINHÃO-VISEU) DISFARÇADO E A CAVALO, MAS AO CHEGAR A ALBERGARIA-A-VELHA FOI RECONHECIDO PELO PADRE MANOEL LEMOS, QUE O CONHECIA BEM, E O DENUNCIOU ÀS AUTORIDADES QUANDO ELE SE HOSPEDAVA NAQUELA LOCALIDADE .
PRESO, FOI ENTÃO JULGADO PELO CONSELHO DE GUERRA A BORDO DE UM NAVIO ATRACADO JUNTO AO PORTO, E CONDENADO A 6 ANOS DE PRISÃO MAIOR CELULAL, SEGUIDO DE 10 ANOS DE DEGREDO OU EM ALTERNATIVA 20 ANOS DE DEGREDO NA COLÓNIA DE ANGOLA.DURANTE A VIAGEM PARA ANGOLA O CAPITÃO LEITÃO ESCREVEU A 22.MARÇO.1891 A SEGUINTE DECLARAÇÃO:“BORDO DO MOÇAMBIQUE, 22.3.91:
"ENCARCERADO COMO ESTOU NESTA PRISÃO FLUTUANTE, VILIPENDIADO, TORTURADO E JULGADO PELOS ESBIRROS DA MONARQUIA, DAQUI MESMO SAÚDO A MINHA QUERIDA PÁTRIA PARA QUE A RELIGIÃO REPUBLICANA TENHA O ÊXITO QUE TODOS OS VERDADEIROS CRENTES DESEJAM. É PRECISO PROCEDER CONTRA A SEITA MONÁRQUICA COM O MESMO VIGOR, COMO SE PROCEDEU CONTRA OS JESUITAS, E ASSIM A NOSSA PÁTRIA SE TORNARÁ FLORESCENTE E RESPEITADA. "
"ANTONIO AMARAL LEITÃO "
Excertos do blogue: TVLA ABA

A proclamação do governo provisório da República em 31/01/891 por Alves da Veiga.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Timor Leste



Díli – Timor-Leste celebra hoje sete anos de independência sem a presença do primeiro-ministro português, José Sócrates. Timor-Leste é o primeiro Estado independente do século XXI.

As celebrações dos sete anos da declaração da independência de Timor-Leste têm lugar hoje, sem a presença daquele que era o convidado de honra das cerimónias de comemoração, José Sócrates.
As cerimónias solenes decorreram ao início da manhã, após o içar da bandeira, em frente ao Palácio do Governo. Portugal faz-se representar pelo secretário de Estado da Cooperação João Gomes Cravinho.

Nas ruas esfilaram as forças das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), seguidas dos moradores dos bairros de Díli e de Manatuto, bem como dos estudantes das escolas dos 13 distritos do país. As celebrações continuaram com espectáculos ao ar livre e artistas nacionais.

«Curvo-me perante os mártires, heróis, vítimas, ex-prisioneiros e as suas famílias», declarou o presidente timorense José Ramos Horta no topo da tribuna, perante o Governo, Parlamento, corpo diplomático e altos representantes de organizações internacionais que enchiam as bancadas, rodeados pela multidão. Presentemente, Timor-Leste é um «Estado democrático, onde há liberdade, justiça e uma economia orientada para o desenvolvimento», acrescentou.
(Do Jornal Digital de 21/05/09)

A independência da antiga colónia de Timor foi proclamada em 20 de Maio de 2002 depois de ter havido um referendo em que cerca de 80% da população deu um sinal inequívoco de querer a sua liberdade.
No conflito travado em Timor que deu origem á invasão deste território, por parte da Indonésia, não podemos esquecer a singular figura do tenente-coronel Maggiolo Gouveia que: "Acusando corajosa e frontalmente a política imposta no território, de criminosa, por conduzir as gentes de Timor, ainda sob a nossa responsabilidade, para um desatre de proporções imensuráveis (como se veio a verificar), Maggiolo Gouveia foi forçado pelas sua convicções, a tomar a única atitude que lhe restava: depor perante o governador os seus galões de ten. Coronel do Exército e aliar-se ao grupo de timorenses que se opunha à "bandalheira" marxista..." (in DC de 31/8/03-Carlos Azeredo-Gen.)

Felizmente, após imensas provações, onde avulta o massacre de Stª. Cruz, Timor festeja hoje a independência, rumo à democracia e, acima de tudo, comemora a libertação do jugo Indonésio e constrói com esperança o seu próprio futuro.
A independência do povo maubere é a vitória da insubmissão e da alegria de ser livre:


terça-feira, 5 de maio de 2009

Ex-Militares em Convívio-actualização

Foto do convívio em 2004



Os ex-militares, ainda sobrevivos da C.Artª.87 do extinto RAP 3, vão comemorar, mais uma vez , com um almoço convívio , no próximo dia 30 de Maio (Sábado) na Figueira da Foz, a sua expedição a Angola em 1961/63.

A maioria da juventude portuguesa esteve na guerra colonial na década de 60/70 (guerra que não desejámos mas que nos foi imposta) cumprindo com o seu dever e honrando a farda.

Mas há que tirar ilações do sacrifício de milhares de jovens em prol da Pátria, em Àfrica, para dar tempo a um regime retrógrado que não quis ou não soube fazer uma descolonização atempada, até para não agudizar o ressentimento e a dor, com uma guerra fratricida que durou mais de treze anos e que ameaçava eternizar-se. Assim, nasceu a "gesta" do 25 de Abril com os militares a entregarem o poder, talvez ingénuamente, á classe política que fez uma descolonização não exemplar, mas a que foi possível fazer.


Valeu a pena? Aprendi nos meus tempos de estudante que "tudo vale a pena se a alma não é pequena." Só que hoje, meia dúzia de políticos e outros tantos agiotas, têm uma alma tão pequenina que têm transformado o País à sua imagem e semelhança, quiçá, à maneira de pocilga, onde o triunfo, previsível, dos porcos, conduzirá, inevitávelmente, o povo português e a Pátria de Camões, a um destino funesto.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ex-Combatentes em Convívio


Os ex-militares, ainda sobrevivos, da C.Artª. 87 do extinto RAP 3, vão comemorar no próximo dia 30 de Maio, com um almoço-convívio, a sua expedição a Angola em 1961/63.

A propósito deste encontro dou à estampa um trecho, redigido o ano passado, inspirado numa carta de um Alferes Milº. de Artª., que foi um paradigma de cavalheiro e de soldado exemplar:

"Ninguém se pode vangloriar de uma guerra que em 1º lugar era injusta e em 2º que afectou milhares de jovens e suas famílias. Mas hà lugar à amizade que se criou entre os combatentes e é essa vertente que importa realçar porque os laços de camaradagem, indefectíveis, foram o sustentáculo de muitos daqueles que deram ao País os melhores anos da sua vida. A propósito disto, lembro-me que hà cerca de 43 anos, mantenho uma ligação,estreita, com os meus ex-camaradas da C.ARTª.87ª que foi destacada para Angola em Março de 1961, sobretudo através de convívios. As recordações e as emoções da campanha em Àfrica são muitas e partilhadas por todos e todos não fomos demais para sobreviver às dificuldades e falta de meios. Basta dizer que: "nos primeiros três meses de campanha não tínhamos alimentação que se visse, não dispúnhamos, sequer, de meios de rádio para as batidas e o armamento que nos foi distribuído foram as espingardas "Mauser de 1937" e algumas pist.metr. FBP. Dormíamos debaixo das camionetas e tomávamos banho de 15 em 15 dias ou mais.Tivemos dois mortos em campanha."

Esse ex- alf.mil. da C.ARTª.87ª que se encontra bastante doente (atrofia multisistémica - MSA) foi um excelente oficial e, no seu contacto epistolar dizia, por fim, recordando esses tempos e uma operação de perseguição e busca:-" Éramos uma tropa virgem políticamente, e escrevemos numas pedras negras junto ao acampamento (dos opositores) "Aqui é Portugal". Ele teria nessa altura 25 anos e eu 22.

Essa amizade ainda hoje perdura e, pela primeira vez, não vai poder estar presente no nosso convívio anual, no próximo dia 31 de Maio, por impossibilidade motora devido à sua doença. Mandou-me a carta com cerca de 4 folhas para ler aos ex- camaradas de armas à guisa de despedida...

Se este despretensioso texto esclarecer algo sobre a nossa ida à guerra, a amizade e as recordações dos ex-combatentes dou-me por satisfeito. "


Mas há que tirar ilações do sacrifício de milhares de jovens em prol da Pátria, em Àfrica, para dar tempo a um regime retrógrado que não quis ou não soube fazer uma descolonização atempada, até para não agudizar o ressentimento e a dor, com uma guerra fratricida que durou mais de treze anos e que ameaçava eternizar-se.

Assim, nasceu a "gesta" do 25 de Abril com os militares a entregarem o poder, talvez ingénuamente, á classe política que fez uma descolonização não exemplar, mas a que foi possível fazer.

Mereceu a pena? Aprendi nos meus tempos de estudante que "tudo vale a pena se a alma não for pequena." Só que hoje, meia dúzia de políticos e outros tantos agiotas, têm uma alma tão pequenina que têm transformado o País à sua imagem e semelhança, quiçá, à maneira de pocilga, onde o triunfo, previsível, dos porcos, conduzirá, inevitávelmente, o povo português e a Pátria de Camões, a um destino funesto.

domingo, 12 de abril de 2009

´É o Soldado"



"Foi o soldado não o jornalista quem nos deu a liberdade de imprensa.


Foi o soldado não o poeta, quem nos deu a liberdade de expressão.


Foi o soldado não o agitar de rua quem nos deu a liberdade de manifestação.


Foi o soldado, e não o advogado quem nos deu o direito e a justiça.


Foi o soldado, não o politico quem nos deu o direito de voto.


É o soldado, que saúda a bandeira que serve sob a bandeira cujo caixão está envolto pela bandeira que permite ao manifestante que queime a bandeira"



(Charles M. Province)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Efeméride


Fez no pretérito dia 12 deste mês de Março 45 anos (12/03/964), que faleceu no ex-Ultramar ao serviço da Pátria, um filho de Tavarede: José de Oliveira Fadigas, casado, deixando órfã uma linda menina de seu nome,Paula, hoje professora do Ensino Secundário.

Era 2º Sargento de Artª. e prestava serviço, ao tempo, no Batalhão de Serviço de Material sediado no QG da ex-Guiné Portuguesa. Um infeliz e fortuito acidente com uma granada de mão ofensiva, roubou-lhe a vida ainda na flor da idade, cerca de 27 anos, e pôs fim a uma carreira promissora dado que era, comprovadamente, um bom profissional.

A guerra colonial provocou, no concelho da Figueira da Foz, cerca de 33 mortos.

Hoje, com o País em Paz, houve necessidade, e bem, de adaptar o Exército às actuais circunstâncias. Mas existe o perigo de esquecer o que foi a guerra e, concomitantemente, de sub valorizar o papel das F. Armadas nos dias de hoje.

O 1º Ministro José Sócrates manifestou há pouco tempo a intenção de reduzir os efectivos, tendo-se falado muito sobre o assunto, mas há que ter em consideração o seguinte:

"A reestruturação das Forças Armadas"

"Numa breve e despretensiosa análise ao discurso do Sr. 1º Ministro no IESM no pretérito dia 17, é de concordar com a redução de efectivos e com a necessária modernização e adaptação das F. Armadas aos tempos modernos, para se cumprir, minimamente, com os acordos produzidos no contexto das Nações. Portugal faz parte da Aliança Atlântica (NATO) e tem obrigações a que não se pode eximir, sob pena de pôr em causa a defesa dos seus interesses e porque o perigo de atentados à integridade dos Estados, existirá sempre, quer por meios clássicos quer por actos de terrorismo.

A reestruturação e manutenção das F. Armadas nem sempre é compreendida por alguns elementos da sociedade civil, quiçá por alguns políticos. Mas o fundamento da sua existência não pode ser posta em causa e tem que ser reaprendido por aqueles que julgam não ser necessárias. Assim, e numa nova perspectiva, compete às chefias militares não só propor e colaborar com o governo na concretização deste projecto, mas também sensibilizar o poder instituído para a erradicação das causas que estão na base do mal estar da instituição castrense. Grosso modo, algumas reclamações,constituem legítimos direitos já consagrados na lei e não cumpridos.

O Governo não pode esquecer, nesta reestruturação, a componente humana assaz importante para o êxito do projecto.

Portugal "foi obra de soldados e marinheiros" e, se quisermos preservar a sua existência, como Nação livre e independente, devem ser atribuídos aos militares os meios necessários para o desempenho das missões que lhes são cometidas,quer interna quer externamente, com dignidade e eficiência, na certeza que o farão na defesa dos interesses de todos os Portugueses e como garantes, derradeiros, do Estado de Direito e da Democracia. De onde se infere que as responsabilidades de qualquer militar ultrapassa as de um simples funcionário público (passe a expressão redutora) que, felizmente, não tem obrigação de ficar sem braços, sem pernas ou olhos, como aconteceu a milhares de DFA no passado recente.

Mal irá o País quando alguém, por qualquer circunstância extraordinária ou falta de visão política, quiser acabar com as F. Armadas."

F. Silva

Este texto foi produzido pelo autor deste blogue num Forum de uma ONG ligada às F. Armadas em 20/11/2008, com a modesta intenção de salvaguardar, os direitos dos dos militares que combateram e morreram na guerra colonial, nomeadamente os das suas viúvas, e restantes familiares.

Ao recordar hoje a efeméride do falecimento do nosso conterrâneo, José de Oliveira Fadigas, ao serviço da Pátria, sei que nada mais se pode fazer por ele.

O Exército cumpriu com as suas obrigações, tanto quanto eu sei, para com os familiares deste seu bravo e competente servidor. Mas há uma lacuna que urge reparar, antes que a sua memória se esfume no pó do tempo, por quem de direito: perpetuar o seu nome em Tavarede tal como o fizeram já algumas freguesias do Concelho da Figueira com alguns dos seus filhos que morreram em iguais cicunstâncias.